Crianças agora fazem arrastão no Itaim-Bibi

Grupo de 8 meninos e meninas tentou furtar produtos em lojas da Avenida São Gabriel

Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Depois da Vila Mariana, o Itaim-Bibi, na zona sul de São Paulo, foi alvo de um arrastão praticado por crianças. Segundo comerciantes do bairro, por volta das 13h30 de terça-feira, um grupo de quatro a oito crianças, de 8 a 12 anos de idade, atacou três estabelecimentos na Avenida São Gabriel. Na segunda-feira, sete jovens foram recolhidos pela polícia após invadir um hotel na Vila Mariana.

Os estabelecimentos ficam na altura do cruzamento com a Rua Pedroso Alvarenga. Os jovens teriam começado a ação pela chocolateria Prawer e, depois, eles seguiram em direção à Avenida 9 de Julho, atacando uma padaria e uma banca de jornais.

"Estávamos sozinhas quando, de repente, quatro crianças invadiram a loja e começaram a pegar os chocolates, como se nada estivesse acontecendo. Duas entraram e duas ficaram na porta vigiando", disse uma atendente da chocolateria. "Elas estavam aéreas, pareciam sob efeito de drogas", afirmou.

Segundo a funcionária, as crianças não foram violentas, mas eram "petulantes e desafiadoras". "Eu dizia para pararem, tirava o chocolate da mão delas, mas elas pegavam de novo, jogavam de uma para outra, debochavam", contou.

De acordo com ela, a única menina do grupo chegou até a entrar na cozinha da loja, enquanto outra funcionária tentava conter um garoto que avançada sobre o freezer com sorvetes. "Ela entrou, sentou no degrau e ficou quieta. Depois, disse que só sairia se lhe déssemos água."

Depois de fugir da chocolateria com poucos doces debaixo do braço, eles correram para uma banca de jornais e uma lanchonete no quarteirão seguinte. "Eram uns oito, cinco meninos e três meninas", disse Rosivaldo Gomes Leal, de 26 anos, funcionário da banca. "Ficaram folheando as revistas e, quando me distraí para atender os clientes, tentaram pegar os cigarros que estavam no mostrador, no alto. Mas um colega apareceu, e eles correram", afirmou. Gomes diz que já tinha visto algumas das crianças há cerca de três meses, mas afirma que elas apenas passaram pela banca na ocasião.

Antes de seguir rumo à Avenida 9 de Julho, os garotos ainda tentaram roubar a Lanchonete Flor da São Gabriel, mas se intimidaram com a presença do dono do estabelecimento, Valter Batista da Mata, de 53 anos. "Saquei que eles estavam mexendo nos salgadinhos na entrada e fui até lá. Quando me aproximei, eles correram", diz o comerciante. Ninguém soube informar o paradeiro do grupo.

O dono da chocolateria, Eduardo Trindade Munhoz, de 51 anos, teme novos furtos, mas evita acusar as crianças. "Não podemos culpá-las. Temos de culpar a polícia, a falta de assistência a esses menores. Isso tudo é fruto de um desajuste social", diz.

A Polícia Militar foi procurada por e-mail e telefone para esclarecer se há relação entre o arrastão do Itaim e os ocorridos na Vila Mariana, mas não respondeu à reportagem.

CRONOLOGIA

Mães chegaram a ser presas

6 de agosto

Nove crianças que seriam integrantes do grupo suspeito de fazer arrastões na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, são apreendidas. Elas são levadas para abrigos.

10 de agosto

Assistentes sociais da Prefeitura conseguem localizar as famílias de cinco crianças e adolescentes que haviam sido detidos no dia 6.

11 de agosto

A PM apreende sete meninas na região da Vila Mariana. À noite, as mães de quatro delas são presas por abandono de incapaz. As garotas são levadas para um abrigo.

12 de agosto

Justiça determina que as mães das crianças sejam soltas, o que ocorre no dia seguinte.

19 de agosto

Três das meninas são detidas novamente. Elas haviam fugido do abrigo dias antes.

22 de agosto

Cinco meninas e dois meninos tentam fazer um arrastão em um hotel no Paraíso. Levados ao Conselho Tutelar, eles quebram móveis e objetos do local. Segundo a polícia, o grupo não é o mesmo da Vila Mariana.

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