Criança morre presa no carro da família

Avó cuidava de menina de 3 anos que foi encontrada em garagem em Caraguatatuba

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2011 | 00h00

A Polícia Civil investiga se a morte de Luiza Santos Romualdo, de 3 anos, foi um acidente ou resultado da negligência dos responsáveis por ela. A menina chegou sem vida ao Hospital Stella Maris, após ser encontrada inconsciente no carro da família, que estava na garagem, no calor, com os vidros fechados, no bairro Indaiá, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo.

Luiza estava sob os cuidados da avó, identificada como Jacira, de 59 anos. Segundo a polícia, ela havia saído de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, para passar o fim de semana na casa e cuidar da criança e do irmão mais novo de Luiza, cuja idade não foi revelada. Em depoimento, a avó da menina contou ter colocado os dois netos para dormir por volta da meia-noite de sábado.

Os pais, uma dona de casa de 36 anos e um homem de 35, haviam ido a um show em Ubatuba, cidade vizinha. O casal retornou para casa por volta das 5 horas e dormiu. Cerca de uma hora depois, Jacira deu mamadeira para Luiza e, em seguida, saiu para pescar em um píer da região. Por volta das 11h, a avó retornou para a casa e o casal acordou ao meio-dia, segundo informações da polícia.

"Quando ela retornou, eles (a avó e os pais) terminaram de fazer o almoço e foram procurar as crianças para a refeição", afirmou o delegado assistente do distrito policial da cidade, Orley Siqueira.

Após vasculhar os cômodos, a mãe da menina e a avó teriam notado o pisca-alerta da van Kia Carnival, na garagem, aceso. "Isso chamou a atenção da avó e da mãe. Elas olharam pelo vidro e teriam visto a criança", acrescentou o policial. Segundo a família, a menina tinha o costume de brincar no carro.

Como não encontraram as chaves do veículos e os vidros estava fechados, a avó e a mãe decidiram retirá-la pelo porta-malas. A menina já estaria inconsciente. Acionado às 14h06, o Corpo de Bombeiros enviou uma equipe ao local.

Quando a equipe de regate chegou, Luiza estava fora do veiculo, sem respirar e sem batimentos cardíacos. Os bombeiros tentaram, sem sucesso, reanimá-la. Levada ao hospital, os médicos repetiram o procedimento, também sem resultado.

Investigação. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a ocorrência foi registrada como morte suspeita e o corpo da criança seria submetido a um exame necroscópico. A van vai ser examinada e os peritos vão determinar se o carro ficou exposto ao sol. À noite, o delegado que investiga o caso voltou à casa da família.

PRESTE ATENÇÃO...

1. Rotina. Tenha cuidado redobrado se a rotina da família mudar: por exemplo, estar de férias e não seguir o roteiro de ir para o trabalho e levar a criança na escola, esquecendo-a no carro, ou ir a um supermercado no caminho de casa e deixar o filho no veículo.

2. Esquecimento. Trabalho em excesso e estresse também causam lapsos de memória, que podem resultar em casos de crianças esquecidas em veículos. Os psicólogos aconselham os pais a, aos primeiros sinais de esquecimentos, tirar férias ou pelo menos reduzir o ritmo de trabalho.

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