Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Criança morre em desabamento de lajes de prédio no centro de São Bernardo do Campo

Bombeiros enviaram 19 viaturas para a Avenida Índico, no centro da cidade; três ou quatro pessoas, entre elas uma enfermeira, permanecem desaparecidas

William Cardoso, do Estado de S.Paulo, e Ricardo Valota, do estadão.com.br, atualizado às 5h20

06 de fevereiro de 2012 | 20h51

SÃO PAULO - As lajes de um prédio de 13 andares desabaram na noite desta segunda-feira, 6, no centro de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e provocaram a morte, até o momento, de uma criança. De acordo com o Corpo de Bombeiros, mais vítimas são procuradas do local do acidente.

 

A Avenida Índico e vias próximas, como a Rua Jurubatuba, estão interditadas por questão de segurança e para facilitar os trabalhos das equipes de resgate. Os bombeiros ainda vistoriam outras áreas do prédio para avaliar o risco de desmoronamento total.

 

Segundo informações iniciais, não houve fogo no local, mas os bombeiros sentiram cheiro de gás, o que não afasta a hipótese de que um vazamento tenha provocado o acidente. A princípio, a queda de uma das lajes teria provocado um efeito dominó, levando as demais e formando um vão imenso no miolo do prédio.

 

Todas as salas de final 4 ruíram às 19h40. O impacto do desabamento arremessou as janelas e vários objetos dos primeiros andares. Inicialmente, a hipótese era de que teria havido uma explosão, mas essa hipótese seria a menos provável.

 

Com cerca de 40 anos, o Edifício Senador tem consultórios médicos, escritórios e uma lanchonete no térreo, com um total de 74 salas. O prédio fica próximo ao Paço Municipal e à sede de Secretaria de Segurança Urbana da prefeitura. Além das 19 viaturas do Corpo de Bombeiros, com 70 homens, estão na região funcionários da Defesa Civil, Eletropaulo e Polícia Militar.

 

As equipes se revezam em turnos de uma hora. Cães farejadores e duas pás carregadeiras estão sendo utilizados. Mais de 50 metros cúbicos de entulho já foram retirados do interior do edifício. Toda a área no entorno do prédio ficará bloqueada pelo menos até quarta-feira. O motorista que puder deve evitar a região, pois o trânsito promete ficar caótico.

 

Vítimas. Uma menina de 3 anos e 11 meses, cujo nome não foi informado, morreu no acidente; e uma enfermeira, identificada como Patrícia Alves, de 25 anos, está desaparecida. O marido dela, um metalúrgico, trabalhava quando soube do ocorrido e foi até o local. A esposa dele, os pais da criança e uma médica estavam no sexto andar do edifício, onde há uma clínica, quando tudo ocorreu.

 

A menina não escapou e foi resgatada sem vida. A enfermeira também estaria entre os mortos, mas, até as 4h45, o corpo não havia sido localizado pelos cães farejadores, que já teriam indicado aos bombeiros o possível local onde estaria o corpo. Todo o trabalho dentro do prédio é feito manualmente. Ainda há risco de desabamento de mais estrutura interna do prédio.

 

Outras seis pessoas foram resgatadas e levadas para o hospital, incluindo duas com ferimentos leves socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu). Segundo o tenente-coronel Roberto Rensi Cunha, oficial que comanda o trabalho dos bombeiros no local, não há previsão de término dos trabalhos.

 

"Não tem hora para terminarmos os trabalhos de buscas; só sairemos daqui depois que cumprirmos nossa missão. Iniciamos com a estimativa de que houvesse pelo menos seis desaparecidos, mas, após conversarmos com o pessoal que estava no bar que fica embaixo do prédio, esse número caiu para 3 ou 4", disse o oficial. As ruas no entorno do prédio estão bloqueadas.

 

Documentação. Segundo o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, o prédio estaria com toda a documentação em ordem e possui alvará de funcionamento. Marinho disse que os documentos do Edifício Senador não chegaram às mãos dele ainda pois o paço municipal está às escuras em razão do rompimento de um cabo de energia que alimenta a região. O edifício fica ao lado do prédio da Prefeitura. "Não sabemos ainda o que pode ter causado essa tragédia. Se tivesse ocorrido duas horas antes o fluxo de pessoas seria bem maior. Apenas a parte do meio das lajes desabou. Pessoas por exemplo que estavam no banheiro tiveram que ser retiradas pelos bombeiros pela parede de trás", disse o prefeito.

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.