Criança morre baleada no Complexo do Alemão

Ao todo, quatro pessoas foram mortas em vários tiroteios registrados desde anteontem na comunidade do Rio; uma base da UPP foi depredada

DANIELLE VILLELA, ANTONIO PITA, SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2015 | 02h02

Um dia após os confrontos que resultaram na morte de três pessoas, o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, teve ontem um novo dia de tensão e violência. Um garoto de dez anos foi morto ao ser atingido por um tiro de fuzil após troca de tiros na localidade conhecida como Areal. A Polícia Militar informou, em nota, que a vítima foi atingida por disparos durante confronto com criminosos no fim da tarde.

Os moradores acusam os policiais de terem disparado contra a criança, que brincava em uma escadaria. Vídeo postado em redes sociais mostra cinco PMs caminhando próximo ao corpo da vítima, cercado por moradores exaltados.

De acordo com a PM, policiais do Batalhão de Choque patrulhavam o local quando foram recebidos a tiros por criminosos. As armas dos PMs serão apreendidas pela Polícia Civil, que abriu inquérito na Divisão de Homicídios. O caso também será investigado por um Inquérito Policial Militar (IPM).

Ao longo de todo o dia uma série de confrontos e tiroteios deixou a comunidade do Complexo do Alemão em alerta. A PM confirmou a realização de uma operação na comunidade pelo Comando de Operações Especiais (COE). À noite, o governador Luiz Fernando Pezão divulgou nota oficial em que lamenta as mortes dos dois últimos dias e avisa que "o Estado não vai recuar diante da covardia de criminosos".

Depredação. Uma base avançada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Complexo do Alemão foi depredada na manhã de ontem. Janelas e portas da base policial, que funciona em contêiner, foram destruídas. Criminosos incendiaram colchões e uma caçamba ao lado da unidade, na Rua Canitar.

A primeira troca de tiros ocorreu por volta das 16h de anteontem, quando PMs em patrulhamento entraram em confronto com suspeitos armados. Baleado na cabeça, Rodrigo de Souza Pereira morreu na hora.

Com ele, o comando da UPP informa que havia uma pistola, um binóculo, munições e um rádio transmissor.

Elizabeth de Moura Francisco, de 40 anos, foi atingida no rosto por uma bala perdida dentro de casa e também morreu. Uma filha de Elizabeth, de 14 anos, foi ferida no braço e levada ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, zona norte. No hospital, permanece internado o adolescente de 15 anos atingido por tiros no braço, perna e tórax. Além dos dois adolescentes, um policial foi levemente ferido por estilhaços.

Outro tiroteio ocorreu no Alemão por volta das 20h30 de anteontem. Segundo o comando da UPP, uma equipe policial estava se dirigindo à base avançada na Rua Canitar quando um jovem armado saiu de um beco e atirou contra os policiais. Matheus Gomes de Lima foi morto na troca de tiros.

Confronto. Um terceiro tiroteio aconteceu na manhã de ontem no Complexo da Penha, vizinho ao Alemão. Por volta das 11 horas, policiais da UPP no Parque Proletário entraram em confronto com suspeitos, que fugiram do local, segundo a Coordenadoria das UPPs.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.