Criança é vítima de uma bala perdida na zona oeste de SP

Segundo a família, menino foi atingido por um tiro da polícia que fazia uma perseguição

Marici Capitelli, do Jornal da Tarde,

30 de setembro de 2008 | 10h55

Um menino de 7 anos foi atingido por uma bala perdida no lado direito entre o peito e o abdome, quando brincava em frente a sua casa, no Jardim São Jorge, zona oeste, na última quarta-feira. Os pais não conseguiram registrar o boletim de ocorrência na delegacia até hoje nem fazer exame de corpo de delito. A família afirma que a polícia está tentando encobrir o caso. Eles dizem que o disparo - provavelmente de pistola ponto 40 - foi efetuado por um policial do Denarc que perseguia um suspeito. Os policiais negam. A criança, que teve ferimento superficial, foi medicada e passa bem, mas ainda está muito assustada.O menino foi atingido por volta das 17 horas da última quarta, na viela Maranhão. "Escutei um barulho que parecia de bombinha e me deu uma dor muito forte no peito. Corri para a minha casa." Uma moradora, que estava com a sobrinha de três anos, diz que, antes de o menino ser atingido, o policial havia disparado na sua direção na tentativa de atingir o suspeito. "Uma das balas veio direto na minha direção. Fiquei sem reação. Só gritava para parar porque a rua estava cheia de crianças." Em casa, o garoto chegou chorando de dor. "Quando levantei a camiseta, vi muito sangue escorrendo", afirma mãe, a diarista Fátima Aparecida Tobias, de 43 anos. Segundo ela, assim que começou a pedir socorro na rua, os vizinhos se aglomeraram na casa, o que chamou a atenção dos policiais do Denarc. "Eles nos colocaram na viatura e levaram para o posto de saúde do bairro", diz a irmã do menino, Daniele, de 22 anos. "Foi desesperador porque ele chorava muito e estava com a respiração ofegante." A criança foi levada para a emergência da AMA Jardim São Jorge. Lá, os profissionais questionaram as circunstâncias do ferimento. "Os policiais disseram que o machucado tinha sido provocado por uma pedra estilhaçada por uma bala." Entretanto, os médicos encontraram na pele do garoto um projétil. Isso consta no relatório assinado por uma das médicas.  O serviço social da AMA orientou a família a registrar boletim de ocorrência na delegacia. "Mas os policiais levaram o meu marido e disseram que o caso seria registrado no Denarc", explica Fátima.  Sem boletim Por volta das 23 horas, Daniele e Fátima foram até o 75º DP (Jardim Arpoador) porque queriam registrar a ocorrência. Elas contam que o delegado disse que não poderia fazer o boletim. "Afirmou que, como o caso envolvia o Denarc, tinha que ser feito pelo próprio Denarc." Elas afirmam que insistiram com o delegado. "Foi quando ele disse: ‘Mas a criança não está viva?’." Na sexta-feira, Fátima e Daniele foram ao Denarc buscar o boletim que havia sido registrado, mas que os policiais não quiseram fornecer uma cópia para o pai.  "Não nos deixaram nem passar da porta. Disseram que e existiam várias delegacias e que não tinha jeito. Não queremos lucrar nada com essa história. Só que isso não se repita com outros vizinhos", ressalta Daniele.

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