Criança de 10 anos morre atropelada por micro-ônibus no Campo Limpo

Familiares e vizinhos tentaram linchar o motorista da lotação, que foi salvo pela PM; ele nega as acusações de que estava em alta velocidade e diz que tacômetro vai inocentá-lo

Bruno Lupion e Ricardo Valota, do estadão.com.br,

25 de maio de 2010 | 03h22

SÃO PAULO - Um micro-ônibus de lotação atropelou e matou na noite de segunda-feira, 24, uma menina de dez anos de idade, no Jardim Samara, região do Campo Limpo, zona sul da capital. Familiares e vizinhos disseram que o veículo vinha em alta velocidade e tentaram linchar o motorista, que foi salvo pela polícia e negou a acusação. Ele afirma que a garota atravessou a rua sem olhar para os dois lados.

 

O acidente ocorreu por volta das 22 horas, na Rua Roque de Mingo, após uma descida, na altura do número 200. A vítima, Rebeca Goes de Araújo, estava atravessando a via para ir dormir na casa de uma amiga quando foi atingida pelo coletivo da Unicoopers, da linha 746V/10 (Santo Amaro - Jardim Rebouças). Ela foi arrastada por trinta metros e morreu na hora.

 

A garota estava acompanhada de sua irmã, de doze anos, que testemunhou o acidente. Ela afirmou que o veículo estava em alta velocidade, desviou de uma van que vinha na direção oposta e atingiu Rebeca quando ela estava "praticamente na calçada". Uma vizinha, Sônia Melo da Silva Rodrigues, 37, disse que é comum as lotações descerem a rua "a mil". Segundo ela, moradores já pediram à Prefeitura que instalasse lombadas no local, mas não foram atendidos.

 

O motorista, Décio Eduardo Barros Vargas, 26 anos, disse que tentou socorrer Rebeca, mas foi cercado por vizinhos enfurecidos e se trancou dentro do micro-ônibus. Ele afirmou que estava em velocidade adequada e alegou que Rebeca atravessou a rua "de repente". Após o acidente, Vargas foi levado ao Instituto Médico Legal para se submeter a exame de dosagem alcoólica. O tacômetro da lotação foi apreendido e enviado para perícia.

 

A mãe de Rebeca, Tânia Goes, 38 anos, quebrou uma janela do micro-ônibus e estava prestes a entrar no veículo quando foi impedida pela polícia. "Vocês não têm ideia do ódio que eu estou sentindo. Fui para cima dele, tirei forças não sei de onde", disse. "Amanhã, vocês podem ter certeza que ele estará solto por aí, cantando de galo, dizendo que foi apenas um acidente", afirmou, emocionada.

 

Testemunhas também disseram que uma mulher estava sentada no colo de Vargas no momento do acidente, o que ele negou. O motorista disse que veículo tem uma câmera de segurança e que a análise das imagens e do tacômetro irão comprovar a sua versão. "Também sou pai de família, imagino a dor que eles estão sentido", disse.

 

Vargas será indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e responderá ao processo em liberdade, segundo o delegado Fabiano Antunes de Almeida, do 37º DP (Campo Limpo). Rebeca será enterrada no Cemitério da Paz, na Vila Sônia, na tarde desta terça-feira, 25.

 

Texto atualizado às 7h54.

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