Hédio Fazano/Progresso
Hédio Fazano/Progresso

Criança argentina é resgatada após sete anos

Menina foi sequestrada pelo pai, mantida em cárcere privado e acabou em abrigo de MS

João Naves de Oliveira, Especial para o Estado, Campo Grande, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2012 | 03h05

CAMPO GRANDE - Sequestrada pelo pai paraguaio aos 2 anos de idade, na periferia de Buenos Aires, na Argentina - onde nasceu -, a menina L.B. só foi localizada pela família agora, sete anos depois, em Dourados, Mato Grosso do Sul, a 220 quilômetros de Campo Grande. Ela estava abrigada no Lar Ebenezer, em Dourados, desde janeiro, após ter sido resgatada pela Polícia Militar e por integrantes do Conselho Tutelar, visivelmente abatida.

O resgate aconteceu em dezembro, conforme explicou a coordenadora do Lar Ebenezer, Cleire Santana. "A criança vivia em um cárcere privado montado pelo próprio pai. Seu único contato com o mundo era por meio de uma televisão. Depois de devidamente recuperada, passou por exames médicos e veio para cá."

A menina não saía para tomar sol, tampouco falava com alguém ou frequentava a escola. Vivia com o pai em uma casa alugada. "Esse comportamento chamou a atenção do dono do imóvel, que chamou a polícia para verificar a situação. Soubemos que o pai vivia fugindo, morando em várias cidades do Brasil e do Paraguai. Ele acabou detido e levado para prestar depoimento", detalha Cleire. "Depois, prometeu providenciar os documentos da criança, pois portava apenas um registro de nascimento feito em uma cidade da fronteira com o Paraguai. Tinha o registro brasileiro, mas L. fala apenas espanhol", ressalta.

O pai da menina desapareceu logo após o depoimento dado à polícia. No dia 23 de dezembro do ano passado, teria ligado para a ex-mulher, a mãe de L.B., na Argentina, dizendo que o juizado de menores havia tomado a crianças de suas mãos. "Ele teria dito ainda que mandara a criança para uma instituição de caridade."

Naquele dia, a mãe da menor foi até a Embaixada do Brasil na Argentina e pediu auxílio para encontrar a filha. Em Mato Grosso do Sul, a garota só não foi encaminhada para adoção porque não tinha documento de identidade.

Em janeiro, a Embaixada da Argentina entrou em contato com a Polícia Civil em Dourados, solicitando informações sobre a menina. A queixa foi repassada à Vara da Infância. "Fomos informados pela embaixada de que o pai, que está foragido, entrou em contato com a mãe da criança e informou que ela estava aqui na cidade", informou o juiz da Infância de Dourados, Zaloar Murat Martins.

DNA. Um exame de DNA foi feito e o resultado, que saiu em abril de 2012, confirmou que a garota era a criança sequestrada em 2005 na Argentina. O caso passou então a ser cuidado pelas autoridades diplomáticas argentinas, e na quarta-feira, o juiz substituto da Infância e Juventude de Dourados, Eduardo Machado Rocha, entregou a garota à Embaixada da Argentina. Ela ficou sob a responsabilidade da adida do país vizinho, Maria Seane Chiodio. Segundo a diplomata, L.B. foi entregue ontem à família, na Argentina, e recebida pela mãe, depois de 7 anos de desaparecimento.

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