Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Cresce procura por remoção de tatuagem

Aumento foi de 40% de 2014 para 2015, segundo levantamento feito em 3 Estados

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2016 | 03h00

“Eu quero, eu posso, eu consigo.” As frases tatuadas em três dedos da mão do produtor de elenco Danilo Rowlin, de 25 anos, estão com os dias contados. Insatisfeito com o fato de elas terem desbotado, ele pretende iniciar um tratamento para removê-las em breve, assim como vários tatuados têm feito no Brasil. Em 2015, houve um aumento de 40% no procedimento em relação a 2014.

Os dados foram coletados em clínicas em São Paulo, Rio e Paraná da rede Pró-Corpo Estética e refletem a realidade do País, segundo Alexandre Filippo, especialista em tatuagens há mais de 20 anos e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Tivemos o boom das tatuagens e, agora, estamos tendo o boom de pessoas que estão tirando.”

Arrependimento, vontade de fazer um novo desenho, questões profissionais e confiança nas novas técnicas de remoção estão entre os principais motivos apresentados. Também há pessoas interessadas em cobrir tatuagens antigas, que fazem remoção parcial para colocar o novo desenho. “No último ano, as pessoas começaram a procurar dermatologistas para apagar um pouco e fazer outra por cima”, diz Filippo.

Rowlin está avaliando preços para remover as tatuagens. “Eu tenho muitas tatuagens nos dois braços, peito, coxa. Nas dos dedos, não sabia que sairiam. Estou vendo os preços. O laser é um tratamento caro.”

Um policial militar de 29 anos que não quer se identificar conta que gastou cerca de R$ 6 mil para remover uma tatuagem que se estendia do ombro até o cotovelo e que custou R$ 280. “Fiz a última sessão em maio do ano passado e foram 18 para retirar. Quando fiz, há nove anos, não imaginava que prestaria o concurso (da polícia). Para entrar, não podia ter tatuagem aparente.”

Ele diz que o resultado foi positivo, mas que a remoção deixou marcas. “Sumiu, mas a pele ficou um pouco manchada. Ficaram umas manchas brancas, como uma pele queimada, mas não me incomodam.”

Dermatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Wulkan explica que alterações na pele após o procedimento de remoção são naturais. “A consequência é uma alteração de textura e de coloração da pele, que pode ficar mais fina. A retirada é mais agressiva do que a introdução do pigmento.”

Tecnologia. As técnicas de remoção têm evoluído e apresentado bons resultados, especialmente em tatuagens pretas.

Novos tipos de laser também estão ajudando a fazer o procedimento com menos sessões. “Hoje, a grande tecnologia é o laser de picosegundo, que entra na pele, encontra o pigmento e o destrói com ondas mecânicas de choque. É tão rápido que a pele não sente as consequências. O que faria em dez sessões, faz em cinco”, explica Filippo.

Em tatuagens pequenas e amadoras, o resultado da remoção é melhor do que em desenhos grandes e coloridos. Há três anos, a propagandista Alessandra De Marchi, de 42, conseguiu retirar uma letra que tinha na mão. Ela conta que a tatuagem era artesanal e foi feita em uma brincadeira quando tinha 14 anos.

“Na época, procurei um cirurgião plástico e ele disse que teria de cortar a pele. Fiz o laser muitos anos depois e teve um ótimo resultado. Se olhar, parece que não tem nada. Fiz apenas três sessões”, diz.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.