Cresce número de turistas estrangeiros que visitam Estado

Mesmo com crise externa, São Paulo recebeu 3,8% mais viajantes em 2011; americanos, argentinos e alemães lideram ranking

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2012 | 03h05

A vinda de turistas estrangeiros para São Paulo no ano passado cresceu mesmo com a crise econômica, desempenho não acompanhado por alguns destinos tradicionais, como o Nordeste. Levantamento do Ministério do Turismo sobre o número de turistas que entraram no País mostra que o Estado recebeu 3,8% mais viajantes no ano passado. Em Pernambuco, ao contrário, esse número caiu 6,4%; no Rio Grande do Norte, a queda foi de 5%.

"Foi um aumento pequeno, mas importante, pois mostra que nosso mercado é consistente", afirma o diretor de Ações Estratégicas da São Paulo Turismo (SPTuris), Luiz Sales. Segundo ele, está mudando o perfil turístico brasileiro, o que traz vantagens à cidade. Os clássicos destinos de sol e praia estão aos poucos sendo substituídos pelos que oferecem opções culturais, de negócios ou eventos. "É mais barato para europeus e americanos viajarem para praias do Caribe ou Mediterrâneo. Com a crise econômica, a viagem de lazer não é prioridade em nenhum orçamento", explica.

Americanos, argentinos e alemães são, nesta ordem, os que mais vêm para São Paulo. Apesar dos principais motivos de viagem serem negócios, o setor de eventos tem atraído cada vez mais estrangeiros. Segundo a Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA, na sigla em inglês), a cidade de São Paulo abrigou 60 eventos do tipo só no ano passado.

O webdesigner inglês Peter Gasston, de 39 anos, diz desconhecer pessoas que tenham viajado para São Paulo apenas para fazer turismo. Casado com uma paulistana, Gasston está de passagem pela cidade por apenas dez dias. "Quando se fala no Brasil lá fora, as pessoas pensam imediatamente em praias. Apesar disso, todo mundo que vem para São Paulo a negócios é surpreendido pelo aspecto social e cultural da cidade."

De acordo com Luiz Sales, os turistas de negócios são os que mais interessam à cidade. "Se você me perguntar se prefiro uma van com homens de negócio ou um avião cheio de turistas, não tenho dúvidas: prefiro a van." Além de serem "imperceptíveis" na rotina da capital, eles são os que mais gastam na cidade. "São pessoas que vêm para São Paulo sabendo que vão gastar, e querem gastar."

Por mar. Apesar de ter aumentado o número de estrangeiros que chegam ao Estado, a forma de transporte mudou. De 2010 para 2011, vieram 87,5% menos turistas pelo mar. Um dos motivos foi o cancelamento da vinda de um dos navios de cruzeiro para o Brasil em 2011. Mas Sales afirma que a queda não pode ser considerada absurda. "É apenas uma questão de demanda."

O mercado de cruzeiros marítimos no Brasil, que tinha a previsão de se tornar o quarto do mundo até pouco tempo, está encolhendo. A Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar) anunciou que na temporada 2012/2013 as companhias vão operar com menos navios, em período menor e com 10% a menos de leitos.

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