Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Cresce nº de ônibus reprovados por barulho

941 coletivos - 6% da frota - foram lacrados até setembro por excesso de ruído, contra 192 de todo o ano passado; em um dos casos, nível chegou a 110 decibéis

Caio do Valle e Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2011 | 03h02

Cresceu cinco vezes o número de ônibus da capital reprovados por serem muito barulhentos. Estatísticas da São Paulo Transporte (SPTrans) revelam que, por causa do problema, foram lacrados em 2011, de janeiro a setembro, 941 coletivos, ou 6% da frota. Em todo o ano passado, foram 192. Mesmo com o aumento, passageiros e vizinhos de pontos movimentados ainda se queixam do excesso de ruído.

Exemplo de como os ônibus desregulados podem ser um incômodo, um dos veículos interditados neste ano chegava a 110 decibéis. Em tal nível, a exposição por mais de oito minutos já pode levar a lesões auditivas, segundo médicos. Ouvir de perto semelhante barulhão equivale a ficar na frente da caixa de som em um show de rock.

O limite permitido nesse caso é de 92 decibéis para coletivos com motor na frente e 98 nos que os trazem atrás. Dentro do ônibus, o máximo de ruído- para evitar danos ao motorista e aos usuários - deve ser de 84,9 decibéis. O limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para os ouvidos é de até 50 decibéis.

O administrador Reginaldo Augusto da Silva, de 45 anos, tem um motivo especial para reclamar do barulho. Com quase 100% da visão comprometida por uma doença degenerativa, considera os ônibus um desafio para quem se guia pela audição. "Quando tem ruído, você tem de redobrar a atenção."

Já a advogada Daniela Jorge, de 33 anos, diz que a barulheira é pior dentro dos veículos, especialmente os que utilizam motor frontal. Por causa disso, ela prefere andar "o mínimo possível" de ônibus, apesar de viver em uma rua bem servida por eles, a Heitor Penteado, na zona oeste.

E os fortes ruídos, mesmo se forem breves, causam mais do que irritação. Segundo o otorrinolaringologista Italo Medeiros, do Hospital das Clínicas, a exposição a barulhos muito altos por alguns minutos pode ocasionar danos irreversíveis aos ouvidos. "Dependendo da intensidade sonora e da predisposição da pessoa, pode haver lesão", diz.

O especialista em transportes Marcos Galesi explica que, no geral, os motores dos coletivos de São Paulo não são mais barulhentos do que no resto do mundo. "Tudo depende do bom isolamento acústico do motor."

A SPTrans informou que, nos nove primeiros meses do ano, 8.806 dos 15.115 ônibus da frota foram inspecionados no quesito poluição sonora. Em caso de lacração por descumprir os limites estabelecidos, o veículo deve ser consertado e passar por nova inspeção. Ele não pode prestar serviço enquanto o problema não for resolvido.

4 PERGUNTAS PARA...

Simão Saura Neto, superintendente de serviços veiculares da SPTrans

1. Toda a frota deve passar pela vistoria da emissão de ruídos?

A cada semestre, temos de verificar no mínimo 15% da frota. Hoje, estamos conseguindo fazer, em média, 30%.

2. O que isso representa?

São, no mínimo, 50 veículos por dia, convocados de forma aleatória. Além disso, tem os que são convocados por serem alvo de reclamações (dos passageiros, feita pelo telefone 156) e por fiscalização de campo.

3. O que leva os veículos a emitir níveis de ruído mais altos do que o permitido?

Vários fatores. Pode ser o motor desregulado, o cano de escapamento furado, o silencioso do veículodesacoplado.

4. Por que os motores na frente são mais barulhentos dentro do ônibus?

Nos ônibus com motor na frente, ele fica alojado na parte interna do veículo. No caso do motor traseiro, ele está praticamente fora do veículo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.