Cresce nº de acidentes fatais com ônibus

CET registrou 251 casos no ano passado, ante 218 no período anterior; outros veículos apresentaram queda em ocorrências com mortos

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2010 | 00h00

Na contramão da queda geral da violência no trânsito, os ônibus foram os únicos veículos que apresentaram alta na quantidade de acidentes com mortes na cidade de São Paulo. Os dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), quando separados por veículos, mostram que os ônibus se envolveram em 251 casos no ano passado, ante 218 no mesmo período anterior - alta de 15,1%.

Os dados fazem parte do Relatório de Acidentes de Trânsito - 2009 da CET, que apresenta uma radiografia dos acidentes com mortes na cidade. O Estado teve acesso ao documento e, na edição de ontem, mostrou os números referentes aos casos envolvendo as motos.

Quando os acidentes fatais são separados por tipos de veículo, é possível notar uma queda generalizada na quantidade de casos, com exceção dos ônibus. Os acidentes envolvendo automóveis, por exemplo, apresentaram queda de 5,3%. O mesmo quadro é verificado com as motos (-10,1%), caminhões (-22,6%) e bicicletas (-11,3%).

"Ao calcularmos a periculosidade relativa, levando em conta o tamanho da frota, vemos que os ônibus são 31 vezes mais perigosos que os automóveis", diz o mestre em Transportes pela Escola Politécnica (Poli/USP) Sérgio Ejzenberg. Há 69 mil ônibus na capital paulista, o que corresponde a 1% da frota municipal.

Foram registrados no ano passado um total de 1.891 acidentes que resultaram em mortes, dos quais 13,7% tiveram o envolvimento de ônibus. São pouco significativos os casos de choques envolvendo ônibus (tipo de acidente em que o veículo bate contra obstáculos fixos, como muros, postes e árvores). Foram três ao longo de 2009, o que corresponde a 1% do total desses casos. Os choques são geralmente caracterizados por "veículos desgovernados" e por isso grande parte deles está relacionada com alta velocidade e consumo de álcool.

Atropelamentos. Por outro lado, esses veículos de transporte coletivo estiveram envolvidos em 18% dos atropelamentos que resultaram em mortes - foram 650 no total na capital. O índice dos ônibus é praticamente o mesmo das motos, por exemplo, que é de 18,9%. Os carros são os maiores responsáveis pelas mortes por atropelamentos (39,7%).

"Os atropelamentos são acidentes mais comuns envolvendo os ônibus, porque há uma grande aglomeração de pessoas nos pontos e que ficam muito perto das ruas", diz a superintendente de Segurança de Trânsito da CET, Nancy Schneider.

Os dados da companhia apontam que 63% dos atropelamentos com mortes acontecem com a vítima fora da faixa de pedestre. Nos demais, os pedestres estavam andando na pista (11%), na faixa de pedestre (14%), na calçada (9%) e no canteiro central (3%).

Prevenção. Uma das medidas adotadas pela CET para diminuir esses acidentes foi reduzir de 60 km/h para 50 km/h a velocidade nos corredores exclusivos de ônibus e instalar gradis para que a travessia dos pedestres aconteça apenas em locais considerados seguros.

A São Paulo Transportes (SPTrans) também ressalta que todos os 15 mil ônibus municipais têm tacógrafos - controladores de velocidade - e os veículos são monitorados via satélite.

Os condutores envolvidos em acidentes são afastados preventivamente até que sejam verificadas as causas do ocorrido. "Caso seja constatado que não praticou os conceitos de direção defensiva, ele tem de passar por reciclagem", informou a SPTrans, por meio de nota.

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