Cresce flagra a ônibus por excesso de velocidade

SPTrans registrou aumento de 14% nas ocorrências em 2011; autuações rendem multa administrativa de R$ 720 para empresas dos coletivos

FELIPE TAU, TIAGO DANTAS, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

14 Março 2012 | 03h02

O número de multas por excesso de velocidade aplicadas pela São Paulo Transporte (SPTrans) a ônibus da capital cresceu de 2.324 para 2.650, ou 14%, entre 2010 e 2011. Isso significa que, no ano passado, sete motoristas de coletivos foram multados por dia.

Essas não são autuações de trânsito - aplicadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) -, mas penalidades administrativas. A empresa municipal que gerencia cerca de 15 mil ônibus e micro-ônibus também aplica multas por problemas operacionais, como atrasos. São punições aplicadas a empresas e cooperativas. A multa por andar além do limite é de R$ 720 e dobra em caso de reincidência.

Mesmo com o aumento no número das multas, continuam comuns os acidentes com ônibus acima do limite de velocidade. No mês passado, um ônibus atingiu um carro na Avenida Vereador José Diniz, na zona sul, e matou duas pessoas. Segundo testemunhas, o veículo estava a 80 km/h. O motorista Jonas Santana da Silva, de 26 anos, foi indiciado por homicídio doloso.

Segundo a CET, em 2010, 20,5% dos veículos que causaram morte de pedestres na cidade de São Paulo eram ônibus.

A reportagem pediu à SPTrans o número de acidentes com ônibus em 2010 e 2011, mas a empresa não forneceu os dados. A única informação é que ocorreram em média quatro colisões diárias nos dois anos.

A SPTrans afirma que o aumento nas multas se deve ao aperto na fiscalização. Já o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano (Sindmotoristas) afirma que houve um abrandamento em relação às empresas. Antes, segundo a entidade, a cada multa as empresas perdiam pontos, o que poderia se reverter em rompimento de contrato. Esse sistema foi abandonado em 2008. "O patrão recorre das multas e, se não ganhar, não corre o risco de ser descredenciado", diz Nailton Francisco de Souza, diretor do Sindmotoristas. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (SP-Urbanuss) afirmou não haver relação entre a mudança e o número de multas.

Para especialistas, ainda falta controle. "Se a fiscalização fosse intensificada, acho que seriam dez vezes mais multas", diz o consultor em engenharia de tráfego Flamínio Fichmann. "Nos corredores fora do horário de pico, os ônibus passam de 50 km/h (limite nessas vias)."

Painéis. Em janeiro de 2011, a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) determinou que todos os ônibus de linha da cidade tenham, até o fim deste ano, velocímetros que sejam visíveis pelos passageiros, para que eles pudessem saber quando o motorista ultrapassa o limite de velocidade de 60 km/h. O dispositivo está presente em 2.326 coletivos, ou 15% da frota.

No entanto, a SPTrans informou que recebeu apenas uma reclamação de passageiro sobre excesso de velocidade que citasse o equipamento.

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