Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Cremesp vai indeferir registro de estudante da USP acusado de estupro

Nesta quarta, alunas protestaram contra formatura do acusado; universidade diz que caso está em análise

Ludimila Honorato e Julia Marques, O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2016 | 20h49

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) decidiu que vai indeferir o registro profissional (CRM) de um estudante de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), acusado de estupro por alunas da graduação, "até acesso integral aos autos de sindicância e processo sob guarda da referida faculdade". 

A decisão, tomada em reunião plenária nesta terça-feira, 8, ressalta que “o Cremesp não pode furtar-se à sua missão e responsabilidade legal de proteger a medicina e a sociedade, como bens maiores e absolutamente indissociáveis”. 

A Superintendência Jurídica do órgão pediu à faculdade a cópia dos procedimentos administrativos a que foi submetido Daniel Tarciso da Silva Cardoso, de 34 anos, para análise dos documentos. Cardoso é acusado de estuprar uma aluna de enfermagem em uma festa da universidade em 2012. Também é suspeito pelo estupro de pelo menos mais uma outra estudante em eventos da FMUSP.

Protesto. Nesta quarta-feira, 9, alunas da universidade protestaram contra a formatura do aluno de Medicina e os casos de violência sexual contra mulheres.

A Faculdade de Medicina da USP informou que "o caso do estudante está em análise jurídica pela universidade para verificar se existe a obrigatoriedade de conceder a colação de grau ao aluno após ele ter cumprido integralmente a suspensão que lhe foi imposta". "Vale ressaltar, ainda, que o caso segue na Justiça", disse ainda a nota.

O advogado do acusado, Daniel Alberto Casagrande, informou em nota que não houve notificação ao cliente dele e que estão aguardando acesso oficial ao teor da decisão para se manifestarem. "Daniel é inocente. Se houve decisão do Cremesp nesse sentido, ela é precipitada, pois ele (Daniel Tarciso) sequer pediu inscrição no órgão", disse o advogado. Casagrande também afirma que não há, nos autos dos procedimentos investigatórios realizados pela FMUSP, nem no inquérito policial, nem na ação penal, qualquer testemunho ou prova de que teria havido estupro. "Toda acusação é embasada no depoimento isolado da vítima", afirma.

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