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Crematório entrega cinzas em sacolas plásticas em SP

Estoque de urnas na Vila Alpina acabou em março e devolução de restos mortais tem deixado familiares indignados

Bruno Ribeiro e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A falta de urnas para colocar as cinzas das pessoas cremadas tem levado o Crematório Municipal da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo, a devolver os restos mortais aos familiares em sacos plásticos. O problema ocorre ao menos desde março deste ano e tem causado indignação de famílias como a do empresário aposentado Fernando Martins Pizo, de 78 anos.

No dia 18 de maio, ele cremou o corpo da filha, Daniella Paula, de 44 anos, que lutara durante quatro anos contra um tumor raro no cérebro. Dez dias depois, a família se preparou para retirar as cinzas da pedagoga e despejá-las no jardim de uma igreja, mas a homenagem foi frustrada quando o irmão dela chegou ao local com os restos mortais em uma sacola.

“Foi uma das coisas mais terríveis e desrespeitosas pelas quais já passei, uma tristeza imensa para toda família”, relata Pizo. “Entregaram as cinzas da minha filha em um saco de feira com um nó na ponta. Isso choca. Perder um filho é uma tristeza muito grande. Imagina receber as cinzas dele em um saquinho como se fosse cimento”, lamentou.

Pizo já havia pago R$ 577,04 pela cremação e a família disse não ter sido avisada sobre a falta de urnas, que são vendidas à parte aos familiares. Segundo o Serviço Funerário Municipal, o estoque de urnas cinerárias no valor de R$ 178,28 acabou em janeiro e as urnas que custam R$435 se esgotaram em março. De acordo com o órgão, novos produtos estão sendo licitados e devem ser colocados à venda em julho.

O órgão diz informar a falta de urnas verbalmente e por escrito junto com a documentação entregue aos familiares. O problema já havia ocorrido em 2012 e fez com que o vereador Nelo Rodolfo (PMDB) pedisse uma auditoria no Serviço Funerário ao Tribunal de Contas do Município (TCM).

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