Crematório entrega cinzas em sacolas

Segundo a prefeitura, licitação para compra de urnas de restos mortais na Vila Alpina fracassou

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2012 | 03h01

Sem urnas de madeira para colocar as cinzas das pessoas cremadas, o Crematório Municipal da Vila Alpina está devolvendo os restos mortais aos familiares em sacos plásticos. A Prefeitura de São Paulo diz que as sacolas são "próprias para essa finalidade" e que a causa de falta de urnas é o fracasso em um processo de licitação no ano passado.

"No último dia 13, fui pegar as cinzas da minha tia que havia sido cremada. Me entregaram uma sacola branca, grampeada, com o nome dela. Falei: 'É assim? Não tem uma urna?'", conta o bombeiro Marcos Cesar Aiza, de 45 anos. "Aí eu voltei e falei: 'Isso está errado, quero comprar uma urna'. Me responderam que não tinham. Na última fase da sua vida, a pessoa não pode simplesmente ser entregue em uma sacola branca."

Só depois de ameaçar denunciar o problema, os funcionários acharam uma solução: deram uma urna usada. "Ela havia sido jogada lá. Estava em bom estado, só tinha uma lasca saindo, mas limparam, arrumaram." No fim da confusão, a urna com as cinzas acabou sendo colocada no túmulo familiar. "Pelo menos, foi mais digno assim", diz Aiza.

O Serviço Funerário Municipal alega que havia outros modelos de urna disponíveis para a compra. Até sexta-feira, o mais barato custava R$ 271 - tipo frasqueira, obrigatório para transporte aéreo. O preço dos demais modelos ia de R$ 912,50 a R$ 3.049,40. Depois de contatado pelo Estado, o serviço informou que passaria a oferecer também o modelo cobre, que custa R$ 108,65 no tamanho adulto.

A Prefeitura afirma que a nova licitação para a compra das urnas ocorrerá neste mês. Uma licitação no ano passado para a compra do material fracassou. A razão foi "o alto valor apresentado pelos licitantes, que apresentaram preços com uma alta de 137%", de acordo com a nota. O comunicado ainda ressalta que as sacolas plásticas são gratuitas e que continuarão à disposição.

Incentivo. Além da falta de urnas, o único crematório municipal de São Paulo ainda está com o elevador quebrado. Há um processo de licitação aberto para consertar o equipamento. Apesar dos problemas, a Prefeitura quer incentivar a cremação. Segundo a Secretaria Municipal de Serviços, por dia apenas 25 pessoas são cremadas na cidade, contra 185 enterros. Para a pasta, o motivo é o desconhecimento da população em relação a essa possibilidade. Porém, a demanda por cremações aumentou 100% entre 2000 e 2010.

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