Creche tem de dispensar alunos

Obras nem economia garantem abastecimento

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2014 | 02h04

A creche da Prefeitura na Rua Professor Francisco Marques de Oliveira Júnior, no Jardim Três Corações, zona sul, mantida pela organização não governamental (ONG) Mão Cooperadora, tem de dispensar seus 120 alunos, de 0 a 4 anos, pelo menos uma vez por semana, por causa da falta de água das 10h à meia-noite, todos os dias. "Há momentos que não temos como trocar as crianças, dar banho. Já colocamos até uma bomba para levar água para as caixas d'água, colocamos torneiras econômicas, ficamos vigiando as crianças para ninguém gastar além da conta. Mas o volume é insuficiente. A água da rua acaba antes de 10 horas", conta o pastor Silas Guimarães, um dos coordenadores da ONG Mão Cooperadora.

Guimarães relata que a Sabesp já chegou até a trocar as tubulações para tentar melhorar o abastecimento no bairro. "Colocaram uns tubos de polegada maior, fizeram várias obras nos últimos anos para tentar fazer a água chegar depois das 10 horas. Mas nada deu certo", afirma.

Ele mora em uma casa nos fundos da creche e chegou a construir uma caixa d'água no teto. "Quando tem água pela manhã, tento puxar o que posso para a caixa. Mas à noite não tem jeito, já acabou", acrescenta.

Em 6 de fevereiro deste ano, após sete dias seguidos sem água, cerca de 200 moradores do bairro chegaram a fazer um protesto pelas ruas do Jardim Três Corações. Houve confronto com a PM e duas pessoas ficaram feridas. Diante da escassez de água, a falta de sinal de internet ou de celular no bairro parecem problemas menores para os moradores. /D.Z.

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