Cratera foi causada por condições geológicas, diz Via Amarela

Laudo da empresa responsável pela construção da Linha 4-Amarela contesta 11 itens apontados pelo IPT

Carolina Freitas, Agência Estado

18 de julho de 2008 | 14h34

O relatório divulgado nesta sexta-feira, 18, pelo Consórcio Via Amarela aponta que a presença de rochas duras sobre o centro do túnel e de rochas mais frágeis sobre as laterais prejudicou o processo de arqueamento do túnel, o que teria colaborado para a abertura da cratera do metrô – que deixou sete mortos em janeiro de 2007. Segundo o relatório, em "condições normais", o túnel poderia sustentar a camada de solo acima dele.   Veja também: As causas do acidente do Metrô segundo Via Amarela  Via Amarela contesta 11 itens apontados pelo IPT    A presença de dois minerais, a biotita, de fácil fragmentação, e de rochas metabásicas, frágeis e moles, também teria contribuído para o desabamento. A existência desses materiais e a falta de arqueamento do maciço não constavam em nenhum estudo geológico. Segundo os técnicos, o consórcio fez 20 sondagens do terreno, mas não identificou os "fatores geológicos imprevisíveis".    O relatório divulgado nesta sexta sustenta que as causas do acidente eram imprevisíveis. O documento de mais de 800 páginas contesta as 11 afirmações consideradas "inconsistentes" do laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), encaminhado no mês passado ao Ministério Público, que acompanha o caso.   Os especialistas contratados pelo consórcio, composto pelas construtoras Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, atribuem o acidente a fatores geológicos "peculiares e inusitados", "somados à imprevisibilidade". Segundo o relatório, "o colapso repentino das estruturas reforça o caráter abrupto e imprevisível da ocorrência". Eles afirmam que o projeto da estação foi seguido e que alterações na forma de construir o túnel foram insignificantes.   No relatório, os técnicos negam que a colocação de 340 tirantes na véspera do acidente tenha sido feita por emergência ou contribuído para o desabamento. "Caso se verificasse emergência, as medidas claramente seriam outras", informam. Segundo eles, as perfurações para colocação dos tirantes têm 4,4 centímetros e não poderiam afetar as condições de suporte da obra.   O relatório descarta ainda falhas no plano de segurança da obra ou descuido nas detonações feitas no dia do acidente. De acordo com o consórcio, a situação foi monitorada duas vezes no dia. De manhã não houve registro de "anomalias graves". Já a segunda medição aconteceu pouco antes do acidente, mas seus resultados só foram conhecidos depois do desabamento, e, portanto, não poderiam ser usados como alerta, como sugeriu o IPT.   Eles contestam ainda a afirmação do IPT de que uma coluna de água acima do revestimento do túnel contribuiu para o desabamento. Para o IPT a água precisaria ser drenada, mas, para o consórcio, a água exercia uma pressão "desprezível" sobre o túnel.

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