Crânios humanos são achados em rua do centro do Rio

Quatro crânios humanos foram encontrados ontem em uma caixa de isopor abandonada na calçada na frente de um terreno baldio da Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio. Policiais militares isolaram o local até a chegada de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Os restos mortais foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML).

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 03h07

"Provavelmente são ossos para estudo", disse a delegada Renata Araújo, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio. Há duas faculdades particulares e um hospital público em um raio de 300 metros do local.

O motorista Adalberto José de Santana, de 61 anos, que trabalha em uma empresa de remoção de entulho perto dali, viu os crânios e chamou a polícia.

Câmeras de monitoramento do trânsito da Avenida Presidente Vargas podem auxiliar a polícia a identificar quem deixou os crânios em via pública. O responsável pode ser indiciado pelo crime de vilipêndio de cadáver, que prevê pena de 1 a 3 anos de prisão, além de multa.

Ex-chefe de Medicina Legal do Exército e perito legista aposentado da Polícia Civil do Rio, Levi Inimá de Miranda explicou que restos mortais nunca devem ser descartados em via pública. "Em caso de necessidade de descarte na cidade do Rio, o procedimento correto é comunicar à Santa Casa da Misericórdia, concessionária dos cemitérios públicos, para que sejam enterrados."

Para ele, dificilmente os crânios foram tirados de uma faculdade por causa da dificuldade de conseguir corpos para estudo. "Outra possibilidade é algum aluno ter perdido os ossos, eventualmente pegos no laboratório de anatomia da faculdade. Os corpos doados a universidades são de indigentes, vítimas de mortes naturais, não de crimes. Os ossos são íntegros, sem lesões nem tecidos humanos. Se o IML detectar lesões (provocadas por pancadas ou tiros) ou a presença de tecidos humanos em putrefação nos crânios, provavelmente há crime", disse Miranda.

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