Cracolândias de bairros de classe média também inflam

Reportagem flagrou concentração de usuários no Campo Belo e Tatuapé e falou com vizinhos, que reclamam do aumento

ARTUR RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h03

Após a intervenção no bairro da Luz, minicracolândias de bairros de classe média nas zonas sul e leste também aumentaram de tamanho. Moradores, comerciantes e até viciados em drogas relatam aumento de usuários em busca de crack.

No Campo Belo, na zona sul da capital, várias ruas nos arredores da Avenida Jornalista Roberto Marinho estão tomadas por pessoas fumando crack. "A gente conhece os usuários de drogas que moram aqui, eles até nos cumprimentam. E dá para notar que desde quarta-feira várias pessoas estranhas passaram a circular pela área para usar drogas", afirmou o segurança Gilvan Correa, de 42 anos.

Morador de rua e usuário de drogas, um catador de materiais recicláveis de 30 anos que pediu para não ser identificado afirma que o movimento de pessoas vindas de outros pontos da cidade ocorre principalmente na Rua Doutor Estácio Coimbra. "Aquilo ali está virando uma segunda cracolândia", disse o rapaz.

Na tarde de ontem, nem a chuva que se intensificava intimidou os viciados. Cobertos com sacos plásticos, eles acendiam os cachimbos no meio da rua. Carros da Polícia Militar passavam pela área sem parar.

Alguns viciados se escondiam no canteiro central da Avenida Jornalista Roberto Marinho. Munidos de barracas, outros montavam acampamento em plena rua, chegando a bloquear entradas de residências.

O ponto de venda de drogas que abastece a região, de acordo com moradores, fica em uma favela na Ruas dos Emboabas.

Na zona leste da cidade, no bairro do Tatuapé, a população também notou intensificação do número de usuários de drogas. "Quando fui abrir minha loja de manhã, havia meia dúzia de drogados dormindo ali. Deve ser gente vinda da cracolândia", afirmou o comerciante José Farias Ramos, de 55 anos, dono de uma loja de tintas. Ele conta que é necessário jogo de cintura e paciência para conviver com os usuários de drogas da região. "Alguns clientes ficam assustados e não param. Nós também não podemos fazer nada para tirá-los da rua", queixa-se.

A maior concentração de viciados fica na Rua Hely Lopes Meireles, na Ponte Aricanduva, e debaixo de uma alça de acesso da Marginal do Tietê.

Vendedores ambulantes afirmaram que, durante o dia, conseguem expulsar a maioria dos usuários de drogas da rua. No entanto, no fim da noite e de madrugada, sem camelôs ou policiamento ostensivo, os viciados são agressivos na tentativa de conseguir dinheiro de motoristas. Assim que eles conseguem o que querem, correm para a Favela do Pau Queimado, onde compram crack.

Realidade. Na tarde de ontem, a reportagem do Estado encontrou uma base comunitária da PM estacionada em um posto de gasolina na Avenida Airton Pretini. Após alguns minutos, porém, o veículo saiu do local. Perto dali, debaixo da alça da Marginal, era possível ver várias pessoas acendendo seus cachimbos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.