Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Mulher morre em ação da GCM na Cracolândia

Operação de limpeza no centro de São Paulo acaba em confusão pela 2ª vez em 10 dias; duas pessoas ficaram feridas após o confronto

Bruno Ribeiro, Tulio Kruse e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 17h14
Atualizado 10 de maio de 2019 | 14h36

SÃO PAULO – Uma ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na Cracolândia deixou uma pessoa morta e outras duas feridas após um confronto com moradores de rua na região central de São Paulo nesta quinta-feira, 9. Uma mulher que foi atingida na cabeça, após troca de tiros entre a GCM e um suspeito que estava armado no local, foi socorrida em estado grave para Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 20h30.  Outros dois homens foram atingidos por balas de borracha – um deles teve ferimento na perna, e o outro nas costas.

Segundo a GCM, seis pessoas foram presas durante uma apreensão de drogas na Rua Helvetia na manhã desta quinta. A apreensão gerou revolta entre os usuários de droga no local, que se recusaram a desmontar suas barracas para a limpeza que ocorre diariamente próximo à Praça Júlio Prestes.

Quando os guardas municipais pediram o auxílio de policiais militares do 13º Batalhão, que atende a Cracolândia, teve início o confronto. Usuários de drogas na região teriam jogado pedras em direção à GCM, que reagiu com balas de borracha e bombas de efeito moral. Ao menos um integrante do fluxo fez disparos contra os agentes de segurança. Dois guardas ficaram feridos e duas viaturas danificadas, segundo a Prefeitura.

"Nessa briga, tiros foram disparados dentro do fluxo", disse o major Robinson Castropil, comandante do Batalhão de Ações Especiais Policiais (BAEP) da Polícia Militar. Ele diz que, inicialmente, a GCM e policiais tentaram evitar a correria, mas precisaram do reforço do BAEP. "Fizemos um trabalho de agrupar as pessoas na praça (Júlio Prestes) para fazer a limpeza e revistas."

Com os disparos, o fluxo se dispersou em uma grande correria. Usuários de crack se dirigiram às Avenidas Rio Branco e Duque de Caxias. Parte foi para a Praça Júlio Prestes.

"Eles pularam o muro e entraram no nosso prédio", disse uma auxiliar de limpeza que trabalha nos condomínios residenciais do governo do Estado, recém instalados ali. Ela não quis se identificar.

A mulher baleada foi encaminhada, em estado grave, à Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 20h30. A polícia não soube informar se a vítima foi atingida por tiros da GCM ou do suspeito. Guardas da GCM levaram nove cápsulas de calibre 38 ao 77º DP, de Santa Cecília, que seriam do homem armado. Os guardas não encontraram a arma e devem voltar à Rua Helvetia para procurá-la.

Em apoio à ação da Prefeitura, a PM fez um cerco aos dependentes químicos na região da Luz e fechou o acesso à Rua Helvétia, causando transtorno no trânsito da região. Apesar da ação policial, usuários se espalharam pelo entorno da Praça Princesa Isabel usando crack. 

Limpeza

Há dez dias, outra ação semelhante já havia resultado em troca de tiros, correria e depredação no mesmo local. Guardas municipais foram alvo de tiros de ao menos dois suspeitos na terça-feira passada, 30 de abril, em outra operação de limpeza. 

Na ocasião, a PM também cercou os quarteirões ao redor da Helvetia e jogou bombas de efeito moral e gás. Houve correria, depredação e fechamento do comércio no entorno. Vários moradores de rua foram pisoteados.

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