'Cracolândia parece os guetos de Londres'

Jason Prior,vice-presidente do escritório de arquitetura americano Aecom[br]Para responsável pelo projeto de revitalização, 'tudo o que for pensado em urbanismo tem deestar integrado ao social'

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

Os noias ? usuários de drogas que perambulam pela cracolândia ? precisam ser "absorvidos" pelo Centro Cultural Teatro de Dança, pelo observatório de música, pela escola técnica estadual e pelos outros espaços planejados para transformar na Nova Luz as 45 quadras degradadas da região. Só assim o projeto de revitalização de R$ 2 bilhões terá sucesso.

É o que diz o americano Jason Prior, vice-presidente do Aecom, escritório de arquitetura de São Francisco (EUA) que integra o consórcio escolhido para pensar a recuperação de 5 milhões de metros quadrados da região central. Logo após a cerimônia de lançamento oficial do projeto, que reuniu ontem autoridades dos governos municipal, estadual e do Banco Central, ele e os colegas arquitetos Stephen Enghon e Jacinta McCann saíram para um passeio pelas Alamedas Glete e Helvetia. Viram pensões lacradas, pessoas retorcidas pelo crack e lixo, muito lixo acumulado por todos os lados. Mas também enxergaram "alma" e "exuberância" na arquitetura clássica francesa da Estação Júlio Prestes. A seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva.

Ao olhar esse cenário de dependentes de drogas, ruas lotadas de lixo e cortiços, com poucos moradores em prédios degradados, o senhor acha viável a revitalização da Nova Luz?

É uma situação parecida à de outros guetos de Londres e Moscou. Não vejo muita diferença. O crack é uma droga hoje disseminada nos grandes centros urbanos. Outras regiões de portos ainda mais degradadas já foram recuperadas no mundo. Fizemos, por exemplo, toda a revitalização do centro de Manchester, na Inglaterra.

Do que depende o sucesso do projeto?

Tudo o que for pensado em urbanismo tem de estar integrado ao social. Os museus, as escolas de música, as escolas técnicas. O plano urbanístico tem de estar integrado ao social.

Como se pode fazer isso?

A população que vive hoje no bairro precisa encontrar espaços de convívio dentro das futuras edificações que vão surgir. Eles (usuários de drogas) precisam ter a chance de frequentar uma escola de dança, um curso técnico, os shows, os eventos. O social e o urbanismo são a combinação do sucesso.

Dá para fazer dessa região um lugar atrativo à classe média?

O objetivo é trazer moradores de todas as classes sociais a um mesmo espaço. Vamos conhecer de perto a realidade da região para ter um diagnóstico. Com certeza será um trabalho muito prazeroso, que pode acrescentar muito. Recuperar parte do centro de uma cidade incrível como São Paulo é um desafio motivador.

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