Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Cracolândia: 68% dos paulistanos não acreditam em solução

Pesquisa mostra que 84,7% defendem ação policial; maior aprovação é na zona leste da capital

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 23h11

SÃO PAULO - A Operação Centro Legal, iniciada há um mês na cracolândia, é apoiada por 84,7% da população da cidade de São Paulo. Em compensação, 67,9% dos entrevistados dizem não acreditar que as medidas tomadas por governo do Estado e Prefeitura serão suficientes para resolver o problema do tráfico na região. Os resultados são da pesquisa feita com exclusividade para o Estado pelo Instituto Informa. Foram ouvidas 1 mil pessoas, entre os dias 27 e 30 de janeiro.

As opiniões favoráveis à operação têm porcentuais próximos em toda a cidade. A população da zona leste é a mais favorável à operação: 83% apoiam. Os moradores do centro são os mais críticos, com 71,2% de apoio.

As medidas adotadas pela polícia na cracolândia também recebem aplausos: 63,2% aprovam totalmente, enquanto 4,5% aprovam. Apenas 15,2% reprovam. No entanto, a pesquisa mostra a população dividida sobre a internação à força de viciados: 49,8% são a favor e 49,4%, contra.

De acordo com balanço divulgado pelo governo, um mês depois do começo da operação, 216 pessoas e 55 foragidos foram presos. Ainda foram internadas 190 pessoas em clínicas de saúde. Isso significa que 457 pessoas que frequentavam a cracolândia foram retiradas de circulação. No início da operação, a polícia calculava que 400 pessoas estavam na região. A população flutuante podia chegar a 2 mil pessoas.

"O problema pode simplesmente ter sido adiado. Para onde vão essas pessoas depois que saírem da prisão e das internações? Talvez elas tenham sido somente retiradas de vista e podem depois retornar para o mesmo lugar", diz a coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria, Daniela Skromov.

A pesquisa mostra que 77% dos entrevistados afirmam que a operação dispersou os dependentes para outras regiões. O Estado esteve na região e a concentração de pessoas diminuiu nos arredores da Rua Helvétia. Grupos de 30 a 40 usuários da droga se reúnem principalmente nas Ruas Guaianases e Apa.

"Creio que conseguimos quebrar a espinha do tráfico, apesar de ainda existirem traficantes no local", diz o delegado Edison de Santi, responsável pela inteligência do Departamento de Investigação sobre Narcóticos.

QUATRO PERGUNTAS PARA

Eloisa de Sousa Arruda, secretária de Justiça

A senhora já afirmou que a cracolândia acabou. Continua com a mesma opinião?

Aquela cracolândia de antes da operação, que chegava a reunir 800 pessoas, não existe mais. Grupos impedindo a polícia de entrar na região, que vivia no meio de lixo e entulhos, entre animais peçonhentos. Essa cracolândia não existe mais.

Mas ainda há concentrações de usuários em ruas próximas.

De fato. Há pequenas aglomerações na Guaianases, Rua Vitória, Apa, que já estão sendo alvo dos policiais, agentes de saúde e assistência social. Mas são grupos incomparáveis com os que haviam.

Uma das características da cracolândia é ser itinerante e resistente a operações que se sucedem. Não teme que o problema volte?

O Estado ainda pretende continuar um bom tempo na região com diversas pastas.

Não são muitas prisões? 200 traficantes não é um número exagerado?

Não. Para dar conta do consumo, era preciso um número grande de fornecedores. Ainda resta gente vendendo por lá e estamos atentos.

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