Crack pode dar punição a advogado de Bruno

OAB de Minas cogita suspender Ércio Quaresma, que admitiu ser viciado após aparecer em vídeo consumindo a droga; ele já foi preso em 2009

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

A Comissão de Ética da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil instaurou procedimento para apurar a conduta do advogado Ércio Quaresma - que defende o goleiro Bruno Fernandes no processo em que é acusado do desaparecimento e provável morte de Eliza Samudio -, que admitiu ser viciado em crack.

Conhecido pelas atitudes polêmicas, o defensor de Bruno poderá ser suspenso preventivamente pela OAB, o que o impediria de continuar à frente do caso.

O advogado aparece em um vídeo da TV Alterosa - afiliada do SBT em Belo Horizonte - fumando crack, supostamente em uma boca de fumo da capital mineira. Ciente da gravação, Quaresma se antecipou à veiculação do vídeo e deu entrevista à emissora admitindo que é dependente e luta há oito anos contra o vício.

Desde o início das investigações envolvendo o desaparecimento da ex-amante do goleiro foram abertos quatro procedimentos disciplinares contra o advogado na OAB. A entidade requisitou o vídeo em que ele aparece consumindo crack. "A OAB estuda aplicação de medida preventiva para a suspensão dele até que os processos sejam julgados. A turma do Tribunal de Ética vai julgar se é o caso ou não de suspensão", disse ontem ao Estado o presidente da entidade, Luís Cláudio da Silva Chaves.

Ontem, a reportagem procurou Quaresma, mas foi informada que ele estava viajando. Na semana passada, durante audiência de instrução com depoimentos dos réus, o advogado dissera que já esperava a divulgação do vídeo. A gravação estaria sendo oferecida a TVs e jornais.

"Pai". Durante os interrogatórios no Fórum de Contagem (MG), ele protagonizou momentos inusitados ao dormir na sala de audiência, obrigando a juíza Marixa Fabiane Rodrigues a chamar sua atenção pelo menos três vezes. "Doutor Ércio Quaresma, o senhor poderia parar de roncar e se aproximar para acompanhar o depoimento de seu cliente?"

No ano passado, Quaresma foi preso com pedras de crack escondidas na boca em uma favela de Belo Horizonte. Na entrevista à emissora, ele disse que há um ano e meio buscou ajuda especializada contra o vício, mas nesse período teve três recaídas.

O goleiro já disse que o considera um pai. Quaresma, contudo, já foi acusado de fazer ameaças por parentes do próprio Bruno. A noiva do goleiro, Ingrid Oliveira, gravou telefonema em que ele diz: "Sou o demônio, o satã." Ontem, em depoimento no 4.º Tribunal do Júri do Rio, Ingrid confirmou as ameaças, depois de ter orientado Bruno a trocar de advogado. Ingrid e outras cinco testemunhas no processo foram ouvidas atendendo a carta precatória da Justiça mineira. / COLABOROU TALITA FIGUEIREDO

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