CPTM promete acabar com trilho compartilhado

Uso das mesmas linhas para o transporte de carga e de passageiros é criticado por especialistas, que apontam também a estagnação do sistema

Bruno Deiro e Antonella Zugliani, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2013 | 02h08

Mesmo sem prazo definido, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) promete encerrar o compartilhamento dos trilhos entre composições de passageiros e de carga "num futuro próximo". Das seis linhas, apenas uma é exclusiva para transporte de usuários. Cerca de 70 trens de carga passam pela rede diariamente. Segundo especialistas, o acidente de ontem na Linha 7-Rubi é resultado da estagnação da rede paulista.

A CPTM informou, em nota, que o compartilhamento existe por causa de um convênio com o governo federal, firmado em sua fundação, em 1992. A única linha que não divide os trilhos é a 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú). O transporte de carga é realizado à noite, entre 22h e 3h, e das 10h às 15h. A quantidade de carga transportada, por mês, é de 2,9 milhões de toneladas.

Segundo a empresa, com a modernização do sistema, o transporte de carga será inviabilizado. "A velocidade com que (os trens de carga) circulam é incompatível com os intervalos e velocidade dos trens de passageiros, o que acarreta alterações na circulação", afirmou a CPTM, que aponta a construção do Ferroanel como principal alternativa.

Creso de Franco Peixoto, mestre em Transportes da Fundação Educacional Inaciana (FEI), lembra que os descarrilamentos não são fatos corriqueiros, mas o risco existe mesmo quando a circulação ocorre em velocidade reduzida, como é o caso dos trens da CPTM.

A solução, afirmou, é restringir ainda mais a passagem de trens de carga. "É preciso analisar se há muitos cruzamentos entre trens e, se possível, modificar para a madrugada, para tentar diminuir ao máximo a frequência", disse Peixoto.

Para o consultor em transportes Josef Barat, o acidente é uma consequência da estagnação de investimentos em ferrovias. "O compartilhamento de vias entre trens de carga e de passageiros é um problema estrutural e que já existe há muitas décadas", afirmou. "Mas não se pode atribuir a culpa apenas ao Estado, pois os investimentos dependem também do governo federal. A prioridade foi investir no Rodoanel."

Exemplo. Diretor-presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) no fim da década de 1970, Barat disse que não há o mesmo problema em países desenvolvidos. "Lá, não há esse tipo de compartilhamento, investe-se em eficiência e, para isso, criam-se linhas próprias para cada tipo de transporte", afirmou. / BRUNO DEIRO E ANTONELLA ZUGLIANI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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