Felipe Rau/ESTADÃO
Felipe Rau/ESTADÃO

CPTM: greve de ferroviários afeta as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos informou que as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade operam normalmente; sistema de transporte alternativo, com oferta de ônibus, não foi acionado

João Ker, Mariana Hallal e Marianna Gualter, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2021 | 22h57
Atualizado 15 de julho de 2021 | 18h26

Os ferroviários de São Paulo estão em greve desde a meia-noite desta quinta-feira, 15. Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foram afetadas nesta manhã as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa. Já as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade operam normalmente. Na Estação Francisco Morato, na região metropolitana, um tumulto terminou com quatro detidos, uma mulher ferida e depredação de parte do local. A estatal afirma que houve perda de receita com a pandemia e não ter condição de atender os pedidos de aumento salarial da categoria. 

Como está o funcionamento de cada uma das linhas: 

  • Linha 7-Rubi: funcionamento parcial. Os trens circulam entre as estações Palmeiras-Barra Fundo e Caieiras. 
  • Linha 8-Diamante: funcionamento parcial. Os trens circulam entre as estações Palmeiras-Barra Funda e a estação Barueri. 
  • Linha 9-Esmeralda: parada.
  • Linha 10-Turquesa: funcionamento parcial. Os trens circulam entre as estações Prefeito Celso Daniel-Santo André e Tamanduateí.
  • Linha 11-Coral: opera normalmente.
  • Linha 12-Safira: opera normalmente. 
  • Linha 13- Jade: opera normalmente.

Às 16h30 desta quinta, a CPTM afirmou ter acionado a frota do Sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) para auxiliar o transporte nas imediações das linhas afetadas pela paralisação. Veja abaixo como será a distribuição entre cada uma delas:

  • Linha 7-Rubi: 20 ônibus circulam entre as estações Jundiaí e Caieiras. 
  • Linha 8-Diamante: 15 ônibus circulam entre as estações Barueri e Itapevi
  • Linha 9-Esmeralda: 20 ônibus circulam entre as estações Grajaú e Pinheiros e outros 15 entre Pinheiros e Presidente Altino. 
  • Linha 10-Turquesa: 10 ônibus circulam entre as Estações Santo André e Mauá e outros 10 entre as Estações Mauá e Rio Grande da Serra.
  • Estação Palmeiras-Barra Funda: a conexão com o Metrô pela Linha 3-Vermelha está garantida.
  • Estação Tamanduateí: a conexão com o Metrô pela Linha 2-Verde está garantida.

Em nota pela manhã, a empresa informou que o intervalo médio esperado nas linhas 7-Rubi e 8-Diamante é de 10 minutos entre os trens. Além disso, está garantida a conexão com a linha 3-Vermelha do Metrô na estação Palmeiras-Barra Funda. 

Por dia, em média três milhões de passageiros são transportados pelo sistema. Totalmente paralisada, a linha 9-Esmeralda é responsável pelo segundo maior tráfego, são 628,4 mil passageiros diários, atrás apenas da 11-Coral com 686,5 mil.

Afetadas parcialmente pela paralisação, as linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 10-Turquesa transportam juntas, todos os dias, cerca de 1,4 milhão de pessoas.

Operação Paese

Pelo Twitter, a CPTM informou a usuários que o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) não será acionado. O sistema oferece alternativas de transporte a passageiros quando há interrupção no funcionamento de linhas de ônibus, metrô ou trem. "Não há previsão de Paese em casos de greve", escreveu a companhia na rede social. Durante a greve dos metroviários, há cerca de dois meses, o sistema foi acionado.

Por meio de nota, a SPTrans declarou que, até o momento, não recebeu solicitação para acionamento do Paese no sistema ferroviário. A companhia esclarece que a CPTM é a responsável pelo acionamento, além de determinar o trecho para atendimento e a quantidade de ônibus. 

Questionada, a CPTM disse, através de uma nota, que o Paese não é acionado em greves da companhia em razão da distância entre as estações. “O Paese atende ponto a ponto. Diferentemente do Metrô, não é possível fazer na CPTM”, afirma o texto. 

Reflexos da greve

A CPTM afirmou que solicitou reforço para SPTrans e EMTU nas linhas de ônibus paralelas às estações. Em nota, a SPtrans afirmou que, durante a manhã, acompanhou a movimentação de passageiros nas linhas municipais e determinou que as empresas de ônibus mantenham 100% de operação da frota ao longo do dia. 

O Metrô de São Paulo disse que até o momento a operação segue normalmente, sem nenhum registro atípico de movimentação.

Às 10h, a capital paulista apresentava 125 km de lentidão, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Nesta quarta-feira, no mesmo horário, eram 101 km registrados. Durante o horário de pico, entre 7h e 8h, a lentidão saltou de 33 km para 91 km. Na quarta, no mesmo intervalo, a cidade passou de 15 km para 63 km.

Através das redes sociais, usuários relataram problemas para chegar ao trabalho durante a manhã. O excesso de passageiros criou dificuldades para o embarque nos ônibus municipais, além disso foram citados congestionamento em regiões próximas às estações, principalmente na zona sul. Os preços acima da média ofertados por alguns aplicativos de transporte também foram alvos de críticas. 

SSP registra ocorrências em duas estações

Para reforçar a segurança nas linhas afetadas pela paralisação, a CPTM solicitou apoio da Polícia Militar de São Paulo. Em resposta, foram enviadas equipes para realizar o policiamento preventivo no entorno das estações.

No início da manhã, um grupo de passageiros interrompeu a saída de ônibus do Terminal Grajaú, localizada junto à estação da linha 9-Esmeralda, bloqueando um trecho da Av. Dona Belmira Marin, na zona sul da capital. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), após a mediação de agentes da PM, os usuários liberaram a via. 

Já na estação Francisco Morato, pertencente a linha 7-Rubi e localizada no município homônimo da região metropolitana, uma confusão resultou em quatro detidos e uma mulher ferida. Em nota, a SSP informou que o tumulto começou após passageiros depredarem o local com paus e pedras. Equipes da área continuam no local, assim como a Força Tática e o Canil.

Negociações de reajuste salarial

O Sindicato alega que tenta negociar desde março com a CPTM, que propôs um reajuste salarial de 0% para este ano de 2021 e se mostrou "intransigente" durante reunião na tarde desta quarta, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Na ocasião, um reajuste de 6,22% foi proposto pelo Tribunal, mas recusado pela companhia. 

Eluiz Alves de Matos, presidente do Sindicato dos Ferroviários, afirma ainda que a empresa não cumpriu um acordo prévio de pagamento da multa do Programa de Participação de Resultados. As parcelas estavam previstas para março e junho deste ano.

"Trabalhamos em toda a pandemia, perdemos vários companheiros para a covid-19, e estamos sem reajuste desde o ano passado. Aguardamos que o governo do Estado se sensibilize e minimamente atenda às nossas demandas", diz Matos. 

Em entrevista à Rádio Eldorado nesta manhã, ele declarou que as negociações de reajuste foram encerradas de forma unilateral pela CPTM no dia 29 de junho. “Estamos dispostos a negociar e sempre estivemos”, disse. “Pedimos desculpas à população, até porque também somos trabalhadores. Não estamos fazendo a paralisação por fazer, nós temos uma reivindicação, como todos os trabalhadores devem ter. O direito de greve é assegurado constitucionalmente.”

A decisão pela greve foi tomada durante assembleia no último dia 6 e uma nova reunião da categoria está marcada para a tarde desta quinta-feira, 15. O líder sindical afirmou que até lá não é possível afirmar se a paralisação será suspensa ainda hoje ou prolongada. Além do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, também aderiram à greve o Sindicato dos Ferroviários da Zona Sorocabana e o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo.

Em nota publicada em suas redes sociais, a CPTM diz lamentar a greve e afirma que tem uma decisão da Justiça do Trabalho que obriga a manutenção de 80% dos profissionais da categoria durante os horários de pico e 60% nas demais horas, sob pena de R$ 100 mil por hora. “A empresa também irá operar com um plano de contingência para atender a todos que precisam do transporte, principalmente aos que trabalham em serviços essenciais”, diz o texto.

Também em entrevista à Eldorado, o presidente da companhia, Pedro Moro, alegou que a pandemia reduziu a receita da CPTM em 60%. “A CPTM hoje não tem condição de oferecer nenhum tipo de aumento salarial por conta de sua situação financeira que é bastante crítica. Há um esforço tremendo da parte da companhia para redução de custos e manutenção da operação em 100%.”

Moro lamentou a paralisação e afirmou que os funcionários estão com salários em dia e acima da média nacional. O presidente disse também que não há nenhuma reunião de conciliação prevista, mas que a CPTM sempre esteve aberta ao diálogo. “Nós solicitamos, ontem, na audiência, que o TRT julgasse o mais rápido possível o mérito para retomarmos a operação. Esperamos retomar, se possível, todas as operações da CPTM no pico da tarde”, declarou. 

Linhas Coral, Safira e Jade preveem nova greve 

Uma nova paralisação, desta vez das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade está marcada para o próximo dia 20 de julho, a partir das 0h. O Sindicato responsável pelas linhas emitiu nesta quinta-feira, 15, um ofício notificando a greve. 

Segundo o documento, a paralisação ocorre em resposta ao fim das negociações de reajuste salarial. O texto também ressalta o trabalho desempenhado pelos ferroviários ao longo da pandemia. 

O diretor-geral do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, Alexandre Múcio, informou que a decisão foi tomada no dia 1º de julho, após o recolhimento de assinaturas. Devido a pandemia, não houve uma assembleia presencial. O porta-voz esclareceu que os sindicatos são independentes e por isso as paralisações foram marcadas em datas diferentes. 

As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade estão funcionando normalmente nesta quinta. Questionada, a CPTM informou que ainda não tem posicionamento sobre essa segunda paralisação. 

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