CPTM distribui 8 mil livros nas Estações Brás e Luz

Pontos recebem nesta semana o projeto Livro Livre; usuários pegam as obras, leem e devolvem ao público

Mônica Pestana, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

Durante esta semana, cerca de 8 mil livros e mais de 500 títulos serão distribuídos nas Estações Luz e Brás da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na 5.º edição do projeto Livro Livre. A única exigência é que o livro seja devolvido após a leitura.

"Esse livro não é um presente", esclarece o adesivo colado em todos os exemplares distribuídos pelo movimento. "Ele é livre. Leia-o, e passe adiante".

Com um exemplar de O Guarani, de José de Alencar, em mãos a copeira Rosana Barbosa, de 42 anos, ficou satisfeita com o livro escolhido. "Eu gosto muito de livros espíritas e acho que é uma boa oportunidade para variar o estilo." A copeira usa o tempo que passa no transporte público para adiantar a leitura. "Passo quase uma hora e meia no ônibus e no trem."

Assim como Rosana, o professor Caio Lima, de 33 anos, também enfrenta um longo trajeto para chegar à USP Leste e aproveita o tempo para ler no transporte público. "Eu lembro de ter visto essa iniciativa nos Estados Unidos. É um projeto inovador e o mais importante é que traz cultura para as pessoas." O livro escolhido por ele foi o A morte de Ivan Ilitch, romance do escritor russo León Tolstoi. "É único que eu não li do Tolstoi."

O projeto é baseado na ideia da formação de uma corrente literária que precisa da participação de todos os envolvidos para dar certo. "A ideia é formar uma corrente de leitura e dar o acesso à leitura aos usuários", explica o gerente de Marketing da CPTM, Rodrigo Pontes. A bibliotecária e idealizadora do projeto, Maria Cândida de Assis, explica que o livro pode ser deixado em qualquer lugar. "Pode ser na catraca, na estação, em bancos, praças. O importante é que chegue a várias pessoas", diz Maria Cândida, que trabalha na Biblioteca Mário Covas, na Estação Presidente Altino, em Osasco.

Para a bibliotecária, as regiões mais carentes de Francisco Morato e Ferraz de Vasconcelos, por exemplo, merecem uma atenção especial do projeto.

O controle do livro e a certificação se ele voltará às ruas ou não já não é a preocupação principal do projeto. "A pessoa pode sair e deixar no parque ou em qualquer outro lugar público. A ideia é que o livro seja livre mesmo", diz Pontes.

O conferente Allan Wilson, de 27 anos, estava voltando do trabalho com um livro do americano Dan Brown nas mãos e parou para escolher o título que será sua próxima leitura. "Espero que as pessoas não quebrem a corrente e deixem o livro em algum lugar depois da leitura."

Semana de leitura

O movimento conta com parceria de ONGs e doações e vai durar uma semana. A programação inclui sessões de autógrafos, apresentação de dança e música, saraus e contação de histórias.

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