Cozinheiro argentino esfaqueado há 18 dias continua no IML

Morte aconteceu durante tentativa de assalto; família não tem recursos para fazer o traslado para a Argentina

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2012 | 03h05

O cozinheiro argentino Hugo Fernando Segovia, de 32 anos, foi morto no dia 14 de abril, em Santana, na zona norte de São Paulo, e, até agora, ainda não se sabe quem foi o autor do crime. A principal suspeita é de que ele foi assassinado durante um assalto, quando voltava do trabalho para casa. A família ainda não conseguiu levar o corpo para a Argentina.

Segovia trabalhava no restaurante Paris 6, nos Jardins, havia quase um ano. No dia do crime, o cozinheiro deixou o serviço por volta da meia-noite. Antes de chegar em casa, passou em um posto de gasolina na Avenida Cruzeiro do Sul, onde ficou até as 3h tomando cerveja.

Segundo conhecidos, ele disse que procuraria outro lugar para comer um lanche e, depois, iria para casa. No meio do caminho, foi esfaqueado duas vezes na região lombar. Ele conseguiu caminhar até a entrada do prédio onde morava, na Voluntários da Pátria, onde foi socorrido por amigos. "Eles contaram que a única coisa que ele disse foi 'vagabundo'", afirmou a namorada de Segovia, a hostess Maria Cristina Damalgo, de 40 anos.

Investigação. O caso foi registrado no 13.º Distrito Policial (Casa Verde). Segundo os dados mais recentes da Secretaria de Segurança Pública, a capital registrou nos três primeiros meses do ano 21 latrocínios (roubos seguidos de morte). No primeiro trimestre, foram 27.587 roubos em toda a cidade - cerca de 12 casos por hora. Na área do 13.º Distrito Policial, foram 327 roubos no mesmo período.

O corpo segue no Instituto Médico-Legal central. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o cadáver já foi liberado e poderia ser enterrado como desconhecido, mas isso ainda não aconteceu porque o Consulado da Argentina em São Paulo foi informado e aguarda agora uma decisão da família.

A família de Segovia, na Argentina, também não tem como arcar com as despesas de envio do corpo para aquele país. A namorada se dispôs a pagar as passagens aéreas, mas também não teria como garantir hospedagem por muito tempo. Um dos desejos dos familiares de Segovia é cremar o corpo e espalhar parte das cinzas sobre o gramado do estádio do Racing, em Avellaneda - ele era torcedor fanático do clube.

Segundo Maria Cristina, o namorado era uma pessoa tranquila. "Hugo não sabia brigar. Até ficava um pouco brava com ele por isso. Era do bem, amava crianças, cachorro. Ele me encantava por isso. Não o via com rispidez com ninguém. Era um ser humano encantador."

O Consulado da Argentina em São Paulo afirmou que, desde o início, tem acompanhado o caso e as investigações da polícia. A chancelaria foi acionada e entrou em contato com a família de Segovia.

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