Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Cozinha do MTST na frente da Câmara fará 200 kg de arroz e 50 kg de feijão

Para alimentar os acampados, equipe de sete pessoas trabalha das 5 horas à meia-noite

BÁRBARA FERREIRA SANTOS , O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 20h25

Com atraso na votação do Plano Diretor e a decisão de manter o acampamento na frente da Câmara Municipal até amanhã, quando o projeto deve ser votado, os manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) tiveram de “pôr mais água no feijão” na cozinha comunitária. Só hoje e amanhã, mais de 200 kg de arroz e 50 kg de feijão serão preparados para quem estiver acampado. 

Para sustentar os sem-teto nas três refeições – café da manhã, almoço e jantar –, a rotina na cozinha começa às 5 horas e vai até a meia-noite. Desde a terça-feira passada, primeiro dia de ocupação, os manifestantes já levaram para o local o “kit cozinha”: alimentos, fogão, botijão, vasilhas, pratos e talheres. E tudo ali é comunitário. 

A matriarca da cozinha, a Tia Maria, como é conhecida Maria Rodrigues de Lima, de 56 anos, é quem comanda a equipe da alimentação, que chega a ter sete pessoas, organizadas entre cozinheiros, ajudantes, organizadores da fila e montadores de pratos. “A gente sempre faz a conta para aguentar dois ou três dias e vê o que tem de doação e o que precisa comprar para inteirar”, explica. “Se não tem mistura suficiente, a gente coloca mais verdura ou legume e assim vai.”

O cheiro bom da comida vai longe e a fila do jantar, que começa às 22 horas, tem início duas horas antes da distribuição, com o pedido daqueles que já estão com fome. 

Organização. Nos dias em que se cogitou a votação do Plano Diretor, como anteontem, as barracas foram montadas durante a madrugada em uma das faixas do Viaduto Jacareí – onde fica a Câmara –, mas desmontadas ao longo do dia, para dar espaço na rua para os manifestantes que não dormiram no local, mas foram acompanhar de perto o voto dos vereadores. Um toldo nas calçadas em frente ao prédio funcionou de teto para parte do grupo ininterruptamente.

É exatamente antes de os acampados dormirem, durante a noite, que se ouve a risada dos jogos de futebol e o barulho dos colchões de ar sendo enchidos – o que faz a alegria das crianças. Yasmin dos Santos Moura, de 6 anos, pulava no colchão azul enquanto um dos coordenadores o enchia na madrugada de anteontem. “Essa é a minha nova cama”, dizia, sorrindo, sem se importar em dormir ao relento. Vendo a cena, a mãe, Daniely dos Santos Moura, de 25 anos, contou que a alegria da filha lhe dá forças para lutar por uma casa. “O sorriso dela dá esperança. É no futuro dela que a gente pensa ao vir aqui.”

Enquanto mãe e filha se preparavam para dormir, os manifestantes comemoravam a chegada de seis banheiros químicos. Até anteontem, apenas mulheres e crianças podiam usar um banheiro improvisado, feito com um vaso que despejava os dejetos no bueiro e portas armadas com sacos de lixo. 

Próximo ao grupo, começava também a organização dos que integram a trilha: pessoas que ficam acordadas durante toda a noite para garantir o silêncio e a segurança dos demais. “Aqui é tudo organizado”, disse o coordenador da trilha, Robson Gonçalves, de 28 anos.

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