Silvana Garzaro/ Estadão
Silvana Garzaro/ Estadão

Bruno Covas tira André Sturm da secretaria da Cultura de SP e Alê Youssef assume o cargo

Prefeito também chamou dois tucanos para ocupar vagas no primeiro escalão da Prefeitura, concluindo reforma no secretariado

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2019 | 21h50

SÃO PAULO - Um dos últimos secretários municipais escolhidos por João Doria (PSDB) para a Prefeitura de São Paulo que ainda estavam no cargo, André Sturm deixará a gestão Bruno Covas (PSDB) nesta terça-feira, 14, para dar lugar ao empresário Alê Youssef no cargo de secretário municipal da Cultura.

Youssef e Covas vinham conversando desde o começo da semana passada. Eles chegaram a se encontrar para uma conversa em uma padaria de Higienópolis, na região central.

Em 2017, enquanto organizadores de blocos de rua vinham criticando mudanças nas regras do carnaval impostas pela então gestão Doria, Youssef recebeu Covas em um ensaio do Baixo Augusta, quando o então vice-prefeito chegou a subir no carro de som.

Como secretário, Youssef, um dos idealizadores do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, participará da organização do carnaval de rua da cidade. Empresário da noite, ele esteve por trás do Studio SP, casa de shows da Vila Madalena que, ao migrar para a Rua Augusta, liderou o renascimento da vida noturna na área, na década passada.

Embora não tenha ocupado cargo público anterior, o empresário tem vida política ativa. É um dos fundadores da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, e em 2012 gravou vídeo de apoio à campanha de Fernando Haddad (PT) para a Prefeitura. 

Já a saída de Sturm era dada como certa pelos aliados do prefeito. Famoso por restaurar e trazer público de volta para equipamentos culturais da cidade, como o Museu da Imagem e do Som (MIS) e o Cine Belas Artes, na Rua da Consolação, Sturm teve uma passagem conturbada pela gestão pública.

Ao menos três áudios gravados por funcionários e fornecedores o obrigaram a dar explicações públicas. “Vou quebrar sua cara”, diz Sturm em um deles, se dirigindo a um agente cultural, durante discussões sobre a gestão de um equipamento cultural da zona leste da cidade.  

Em outro, Sturm afirma a representante do Instituto Odeon, que prestava serviços ao Theatro Municipal, que só aceitaria a prestação de contas da entidade caso seus representantes topassem uma rescisão amigável de contratos, o que foi visto como uma “chantagem”.

Por esse episódio, Sturm passou a ser investigado por improbidade administrativa pelo Ministério Público Estadual.

Sturm também já é réu em uma ação por improbidade por causa do carnaval de 2017, processo do qual o prefeito também é réu. Nele, Sturm e outras autoridades são acusadas de favorecer uma empresa na seleção da entidade que faria a organização da folia de rua.

O agora ex-secretário nega todas as acusações. 

Covas coloca tucanos na secretaria de Esportes e para intermediar relação com Brasília

Além da nomeação de Alê Youssef, Covas tirou do PRB, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, a Secretaria Municipal de Esportes. A legenda ganhou, na semana passada, a Secretaria Municipal da Habitação, com a nomeação de Aloisio Pinheiro para o cargo. Para Esportes, assumirá o deputado não reeleito Carlos Bezerra (PSDB), tucano ligado à agenda dos Direitos Humanos.

O prefeito nomeou ainda secretário executivo de relações federativas o ex-deputado federal Ricardo Trípoli, que nas últimas  eleições foi um dos nomes do partido para o cargo de senador. 

 

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