Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Covas faz rearranjo no secretariado e estreita a ligação com a Câmara

Mudanças atingem 8 cargos e incluem troca em Transportes às vésperas de licitação de R$ 140 bi; antigo titular vai para o gabinete do prefeito. Vereador tucano da base assume a Casa Civil com desafio de garantir apoio no Legislativo paulistano

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Entre os primeiros atos de governo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou nesta segunda-feira, 9, mudanças em oito nomes do primeiro escalão do Executivo municipal. Embora a maioria das mudanças seja por rearranjo interno, trocando funções de secretários, mas mantendo-os no governo, Covas procurou estreitar as relações com a Câmara Municipal. Ele trouxe um vereador da base para o pasta da Casa Civil, responsável pela interlocução com o Legislativo - cargo ocupado por Covas durante a gestão João Doria.

Covas, com as mudanças, reforçou que busca não fazer nenhuma alteração nos planos traçados por Doria. “Se mudou o prefeito e não muda a rota, imagine o secretariado? Eles assumem sabendo da responsabilidade de implementar as políticas, as ações, as metas que foram discutidas com a população na campanha de 2016.”

A ida do vereador Eduardo Tuma (PSDB) para a Casa Civil foi tida pelo presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), como uma escolha “natural”. “Poucas são as pessoas que têm interlocução com todas as bancadas”, afirmou, ao avaliar o quadro. A transição ocorre em um momento em que Covas obteve uma vitória expressiva, de 37 dos 55 votos possíveis, para aprovar em primeira votação o projeto de lei que autoriza a venda do Complexo do Anhembi, após uma derrota durante a tentativa de reforma da Previdência Municipal no mês passado.

“Sou um homem do diálogo, e vou buscar dialogar até com a oposição, o PSOL, o PT, como tinha no passado (conversado) com o PCdoB”, afirmou Tuma. Uma de suas principais missões, conforme o Estado apurou, é tentar garantir o apoio da bancada do PSB, do governador Márcio França, que tem quatro votos no Legislativo e pode ser o fiel da balança em votações que precisam de quórum qualificado (dois terços dos votos), como os projetos que preveem mudanças no zoneamento da capital paulista. 

Outra mudança que afaga o Legislativo é a indicação para a Secretaria de Mobilidade e Transportes do até então presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), João Octaviano. Ele havia sido indicado para o antigo cargo pelo presidente Milton Leite - embora Leite negue que tenha participado da nomeação. 

Octaviano terá agora a responsabilidade de tocar uma das mais caras licitações da história da cidade: a renovação dos contratos do transporte público, estimada em até R$ 140 bilhões por um prazo de 20 anos. O edital deve ser lançado na próxima segunda-feira, após ficar em uma consulta pública desde dezembro. O novo secretário afirmou que vai “trabalhar para concluir essas alterações que foram sugeridas na consulta pública” e manteve a data.

Mudanças. O antigo secretário de Transportes, Sérgio Avelleda, que elaborou o edital, foi nomeado por Covas para chefiar o gabinete de Prefeito. Avelleda já havia ocupado a presidência da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Na sequência, ele foi para a chefia de gabinete com a saída de Wilson Pedroso, que deixou o cargo com Doria para participar de sua campanha. 

Zeladoria urbana. Além de Avelleda, a área de zeladoria urbana também teve rearranjos internos. O secretário de Obras, Marcos Penido, foi realocado na pasta das Prefeituras Regionais. Em Obras, ele já vinha tocando umas das vitrines do governo, o programa Asfalto Novo, de recapeamento. Foi para as Prefeituras Regionais por causa da saída de Cláudio Carvalho, ex-executivo da Cyrela e amigo de Doria, que também deverá ajudá-lo na campanha ao governo do Estado. 

Já a mudança de Penido deixaria vaga a pasta de Obras. Bruno Covas resolveu rebatizar a secretaria com o nome que ela historicamente teve: Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) e trouxe para a área o engenheiro Vitor Aly, que ocupava a presidência da estatal SP Obras, a empreiteira da Prefeitura. Já para a SP Obras Covas indicou o empresário Maurício Brun Bucker, das empreiteiras Construdata e Alena, com histórico de contratos com a Prefeitura. Bucker ficará responsável por gerir os recursos do Fundo Municipal de Obras. 

Por fim, Covas também anunciou que trocará, nas próximas semanas, o titular da pasta de Justiça. O atual secretário Anderson Pomini era advogado pessoal de Doria e foi o responsável pela defesa do ex-prefeito durante as eleições de 2016 em ações sobre campanha antecipada e uso da máquina durante as prévias eleitorais. Já anunciou que acompanhará Doria na nova campanha. Para esse cargo, Bruno Covas fez uma indicação pessoal: escolheu o advogado Rubens Rizek Júnior, secretário adjunto de Agricultura e Abastecimento do governo do Estado, que trabalhou com o prefeito quando o tucano foi secretário do Meio Ambiente, entre 2011 e 2014. 

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