Marcelo Chello/Estadão (1/12/2020)
Marcelo Chello/Estadão (1/12/2020)

Covas nega ineficiência do feriadão prolongado e diz que taxa de isolamento na capital chegou a 80%

Prefeito ignora índice medido pelo Estado, que apontou média de 44,7% no mesmo período, e se baseia em sistema municipal para afirmar redução 'extremamente satisfatória' na circulação

João Ker, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2021 | 11h58

O prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 8, que a taxa de isolamento social na capital paulista chegou a 80% durante a antecipação do feriadão, com base no sistema municipal de rastreamento. O índice apresentado é quase o dobro daquele apontado pelo Sistema de Monitoramento Inteligente de São Paulo (SIMI-SP), do Estado, de acordo com o qual a média de isolamento no município foi de 44,7% durante o mesmo período.  

Rubens Rizek, secretário municipal de Governo, também confirmou nesta manhã que o objetivo ideal da Prefeitura era chegar à média de 60%, que teria sido atingida a partir do dia 6 de março, quando o Estado entrou na fase vermelha do Plano SP. Ele explicou que, na capital, o índice é medido com base nos passageiros de ônibus, carros na rua, estimativas de lentidão no trânsito e notas fiscais de serviço emitidas. Já o sistema do Estado se baseia no deslocamento da população captado pelas antenas de celular, através de uma parceria do governo com operadoras telefônicas.  

“Estamos comemorando o sucesso absoluto da medida que o senhor tomou da medida de antecipação dos feriados", afirmou Rizek, classificando o índice de isolamento social de 80% medido pelo município como "extremamente satisfatório". 

Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam que na última semana, entre 31 de março e 7 de abril, a taxa média de ocupação caiu de 92 para 89% em leitos de UTI; de 92 para 81% em postos de saúde; e aumentou de 83 para 84% em leitos de enfermaria.

Hoje, o índice na ocupação de leitos UTI da capital está em 87% para a rede privada, 90% para a municipal, e 96% para a estadual. Na terça-feira, a capital tinha 10.173 pacientes da covid internados, entre tratamento intensivo e enfermaria.  

Nesta quinta-feira, o Estado atingiu o seu segundo pior índice de mortes pela covid em 24 horas, com 1.299 registros. O número representa um aumento de 1,64%, elevando a média móvel dos últimos sete dias para 715 óbitos diários.

O secretário Edson Aparecido defendeu que há "certa estabilidade" nos índices municipais desde o dia 3, mas admitiu que o patamar ainda é "elevadíssimo". "O período do mega feriadão diminuiu a circulação de pessoas e, com isso, temos a diminuição de contágio, depois de internações e, depois, uma mudança no número de mortes. Nunca se esperou que no dia seguinte ao feriadão teríamos uma redução no número de mortes", argumentou Covas, afirmando que as taxas observadas hoje são resultado das aglomerações de "um mês, um mês e meio atrás". 

Na terça-feira, 6, a média móvel de novos casos confirmados diariamente para a covid ainda estava em 616. Aparecido ainda voltou a pedir que a população fique em casa, afirmando que "ainda teremos de 15 a 20 dias de muita pressão no sistema de saúde do município".

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