Cotia quer aterro em área de manancial

Proposta da Prefeitura revoltou vizinhos, que apelaram ao Ministério Público contra a obra

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

Moradores de Cotia, na Grande São Paulo, querem impedir a Prefeitura de construir um novo aterro sanitário em área de mananciais, a 5 quilômetros de um dos reservatórios do Sistema Alto Cotia da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e próxima a bolsões residenciais.

Vizinhos colheram 12 mil assinaturas e entraram com uma representação no Ministério Público Estadual, que analisa o caso.

O terreno de 278 mil m² na Estrada do Tabuleiro Verde entrou na mira da Prefeitura no ano passado, quando foi firmada uma Parceria Público-Privada (PPP) com a empresa Enob Ambiental, a mesma que presta serviço de coleta de lixo para a cidade e agora ficará responsável pelo novo aterro. De acordo com a arquiteta Luciane Régis, da Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo, o local é o mais adequado pelas características físicas e pela baixa densidade demográfica. "Não mora ninguém ali, é um terreno vazio", disse ao Estado.

A mesma informação consta no parecer técnico assinado pela arquiteta - que não considerou a vizinhança do local. O documento diz ainda que o terreno onde passam córregos em direção ao Rio Cotia e tem uma enorme concentração de mata nativa é uma "área seca".

Segundo o prefeito de Cotia, Antônio Carlos Camargo, o endereço do futuro aterro está em fase de discussão. "Não tem nada certo. Vamos esperar o parecer do Ministério Público."

Interdição. O antigo lixão de Cotia, no bairro do Caputero, ficava na área de preservação ambiental da bacia do Guarapiranga e foi interditado há quase seis anos. O prefeito não descarta a possibilidade de o terreno ser reativado para o aterro . "Não vai ser uma coisa a céu aberto, usaremos equipamentos da mais alta tecnologia", diz. Pelo contrato, a área degradada do Caputero deve ser revitalizada pela Enob.

Atualmente, o lixo da cidade vai para o município vizinho de Itapevi - segundo Camargo, "gasta-se muito dinheiro" com o transbordo de 130 toneladas de lixo por dia para outra cidade. O secretário de Obras de Cotia, Benedito Simões, defende a construção de uma usina de lixo na Estrada do Tabuleiro Verde. "Para viabilizar economicamente a obra, outras cidades poderiam mandar seu lixo para a usina de Cotia."

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