Corruptos de UPP terão ''punição exemplar''

RIO

, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

Para impedir novos desvios de conduta nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o governo do Rio pretende aplicar uma punição exemplar aos agentes que receberam propina para permitir o tráfico de drogas no Morro do Fallet, na região central da capital fluminense. Os comandantes da UPP da favela já foram afastados e uma investigação interna vai identificar outros policiais que receberam mesadas dos criminosos.

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O governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que o caso é isolado, mas ressaltou que está pronto para retirar as "plantas podres" do caminho. "Temos uma estrutura de controle que os identificou e, portanto, serão punidos exemplarmente."

Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, não há crise no modelo de policiamento. Segundo reportagem do domingo do jornal O Dia, policiais da UPP do Fallet recebiam até R$ 2 mil por mês para impedir o combate ao tráfico. Os comandantes são suspeitos de alterar a escala de trabalho da unidade para evitar que outros policiais prejudicassem os traficantes. "As pessoas que cometeram excessos serão expulsas da corporação. Temos de punir bem e não deixar de fazer as ações por medo de desvios de conduta", disse Beltrame.

Confrontos. A eficácia do modelo de segurança fluminense passou a enfrentar críticas depois de uma série de ataques às forças de segurança nas favelas ocupadas. Em uma semana, policiais e militares entraram em confronto cinco vezes com moradores e traficantes.

Na noite de anteontem, criminosos atiraram duas vezes contra a sede da UPP do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte. Ninguém ficou ferido e os autores dos disparos fugiram. O patrulhamento na favela foi reforçado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e pelo Batalhão de Choque.

No sábado, PMs trocaram tiros com traficantes no Morro do Fallet. Um agente foi ferido e corre o risco de ficar tetraplégico. Também foram registrados incidentes na Providência e na Cidade de Deus. Há suspeitas de que os ataques a UPPs tenham como alvo agentes que não concordaram em receber propinas para beneficiar os traficantes. / BRUNO BOGHOSSIAN e TIAGO ROGERO.

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