Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Córregos que deságuam em piscinões estão sujos

Enquanto os 20 reservatórios paulistanos têm a limpeza em dia, lixo e mato tomam conta de oito fluxos de água, às vésperas da temporada de chuvas

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2011 | 00h00

JORNAL DA TARDE

Quase metade dos córregos que têm parte de suas águas direcionadas aos 20 piscinões da capital paulista está tomada por lixo, mato e entulho. Enquanto reservatórios visitados pela reportagem nas duas últimas semanas estão com a limpeza em dia e são monitorados por câmeras, os rios e córregos não receberam o mesmo cuidado da Prefeitura - às vésperas da temporada de chuvas, que começa neste mês.    

 

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Na zona leste, região com mais piscinões de São Paulo - 11 no total -, a reportagem encontrou cinco córregos tomados por mato, garrafas PET, sacos de lixo e pneus no leito. Os riachos têm suas águas desviadas para os Piscinões Oratório, Caaguaçu, Limoeiro, Aricanduva 2 e Aricanduva 3. Na zona sul, o mesmo problema ocorre com parte dos Córregos Pirajuçara - que abastece o Piscinão Jardim Maria Sampaio - e Águas Espraiadas, que encontra o reservatório Jabaquara.

Na zona norte, o Córrego Cabuçu de Baixo, que atravessa o reservatório Bananal, não passa por limpeza há um bom tempo, segundo moradores. "Moro aqui há 25 anos e poucas vezes vi a Prefeitura fazendo limpeza. O piscinão está em dia, mas acho que só isso não adianta", afirma a secretária Francisca Alessandra Cemião, de 32 anos.

O professor aposentado de Hidrologia da Universidade de São Paulo (USP) Júlio Cerqueira Cesar Neto afirma que não adianta os piscinões estarem limpos, se os córregos que chegam a eles permanecerem sem manutenção. "Pode ocorrer de o córrego transbordar antes de a água chegar ao reservatório. É importante que todo o sistema seja bem cuidado."

Marcelo Rosenberg, engenheiro hidráulico e conselheiro do Instituto de Engenharia, vai mais longe. "Resíduos de grande porte, como pneus e móveis jogados em rios, formam uma espécie de barragem, o que dificulta a passagem da água e causa enchente." Ele afirma que a limpeza e o desassoreamento precisam ser feitos permanentemente para que os córregos tenham sempre uma boa capacidade de vazão.

Orçamento. Para este ano, as 31 subprefeituras juntas têm R$ 118,73 milhões para cuidar da limpeza de córregos e galerias, conforme consulta feita no orçamento da Prefeitura. Até 6 de junho, última atualização online, foram gastos R$ 49 milhões, ou 41%.

Com a limpeza manual dos córregos, que nada mais é do que cortar o mato e retirar o entulho das margens e o lixo aparente, a Prefeitura gastou, até junho, R$ 12,23 milhões ou 64,77% do valor previsto para o serviço neste ano. Já com a manutenção mecânica, que tem a função principal de remover o lixo acumulado no fundo dos córregos e rios e desassorear seus leitos, foram gastos, no mesmo período, R$ 5,21milhões dos R$ 37,75 milhões reservados para o ano.

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