Corregedoria ouvirá 10 GCMs por não impedir colega de atirar em menino

O guarda Caio Muratori perseguiu e atirou contra um veículo furtado em Cidade Tiradentes; entre os ouvidos, há dois inspetores

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2016 | 12h08

SÃO PAULO - Dez guardas civis metropolitanos, entre eles dois inspetores (categoria mais alta na hierarquia da GCM), serão ouvidos pela Corregedoria da corporação por não terem impedido um guarda de perseguir e atirar contra um veículo furtado em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital, na noite do dia 25 de junho. O disparo, feito pelo GCM Caio Muratori, matou um menino de 11 anos que estava na traseira do carro. Ele e os dois outros guardas que estavam na viatura são alvo de sindicância interna e também de um inquérito no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil.

 

Esses guardas atuavam na Central de Comunicação da GCM (Cetel) durante a ocorrência. Conforme revelou em entrevista ao Estado, Muratori acionou a Central para avisar que precisava de reforços para perseguir o veículo - ação proibida aos agentes da GCM, segundo portaria de 2008 - e não foi impedido pelos guardas do plantão. 

 

A conversa entre a viatura e a base, que ficou gravada, foi entregue à Corregedoria da GCM e à Polícia Civil na última semana. No áudio, divulgado nesta quinta-feira pelo site da revista Veja São Paulo, Muratori afirma que "precisa de apoio" e a orientação recebida é a de que "prossiga", mas com "cautela". Da Central, um agente também afirma que não há informações na Polícia Militar de que o veículo informado por Muratori havia sido roubado, mas apenas um registro de atraso no licenciamento.

 

As normas internas da GCM impedem qualquer tipo de perseguição em veículos. Uma portaria de 2008 define que "fica proibida a realização de perseguições a veículos em atitudes suspeitas". Após o caso, a secretaria publicou outra portaria, reforçando a proibição desse tipo de acompanhamento e vetando também o uso de arma contra veículos em fuga.

 

O secretário municipal de Segurança Urbana, Benedito Mariano, afirmou ao Estado que há indícios de irregularidades por parte dos agentes da Cetel. A reportagem apurou que ao menos dois GCMs falaram diretamente com Muratori. Os demais serão ouvidos porque estavam na base no momento da ocorrência. "Não comento sobre algo que está sob investigação, mas evidentemente que, ouvindo o áudio, os indícios de irregularidade são fortes. Caberá ao órgão corregedor, que já instaurou a sindicância, corrigir".

 

Outro detalhe da conversa gravada  chamou a atenção dos investigadores. No fim da ocorrência, depois de o garoto ter sido baleado e socorrido, um guarda da Cetel, via rádio, pediu o número do celular dos GCMs que participaram da perseguição. O procedimento está fora dos padrões da Guarda Civil. O DHPP estuda pedir à Justiça quebra do sigilo telefônico dos guardas e intimar o GCM que pediu o número dos celulares para prestar depoimento.

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