Policiais são presos em flagrante por extorsão mediante sequestro

Policiais atuam na zona norte da capital, foram até Ribeirão Preto prender supostos traficantes, mas não avisaram aos superiores

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2016 | 20h02

SÃO PAULO - Três policiais civis da 4.ª Delegacia Seccional Norte de São Paulo e um informante foram presos em flagrante pela Corregedoria sob a acusação de sequestrar dois supostos traficantes de drogas e exigir dinheiro para libertá-los. O cativeiro seria a própria delegacia.

Segundo informações da polícia, os investigadores Ailton Rodrigues Belem, Carlos Felipe Martins Thiago Pinheiro Machado e o informante Irazer Soares da Silva, foram até a cidade de Ribeirão Preto, a cerca de 320 quilômetros da capítal, no domingo, 15, mas não avisaram ao delegado responsável pela equipe e a nenhum outro superior.

Os policiais pertecem a SIG (Setor de Investigações Gerais) da 4.ª Seccional e são destacados para  investigar crimes ocorridos apenas na cidade de São Paulo. Para qualquer diligência em outro município é preciso de autorização prévia de seus superiores.

Em Ribeirão Preto, eles prenderam os dois homens que seriam traficantes de drogas na cidade. Durante a ação, os familiares foram avisados que eles só seriam libertados se houvesse pagamento de propina. Os supostos traficantes foram colocados em uma viatura e seguiram para São Paulo. O valor da extorsão não foi divulgado.

Os familiares foram até a delegacia da cidade registrar uma queixa contra os policiais da zona norte da capital. O delegado avisou a Corregedoria da Polícia Civil, que montou uma operação e prendeu os investigadores.  Eles estão no presídio da Polícia Civil.

Conduta. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública confirmou que a Corregedoria prendeu os homens em flagrante por extorsão mediante sequestro. A pasta informou também que foi aberto "um processo administrativo para apurar a conduta dos policiais e a participação de outras pessoas no crime". 

Segundo a secretaria, as vítimas eram usuárias de drogas e foram detidas após denúncias de um informante. Elas assinaram um termo circunstanciado, ainda de acordo com a pasta, por estar portando droga para consumo próprio e foram liberadas mediante compromisso de comparecimento em juízo.

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