Corregedoria prende 14 PMs suspeitos de matar dois jovens

A Secretaria de Segurança Pública informou que a prisão é administrativa e os policiais estão detidos na Corregedoria

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2015 | 15h16

Atualizado às 21h16

A Corregedoria da Polícia Militar prendeu 14 homens da Rota, grupo de elite da corporação, por suspeita de executarem dois jovens durante perseguição em Pirituba, na zona norte da capital, na quinta-feira. A Secretaria da Segurança Pública informou que a prisão é administrativa. O caso também é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Na primeira versão dos policiais apresentada na delegacia, eles afirmaram que estavam em patrulhamento na Avenida Doutor Felipe Pinel quando suspeitaram de um carro azul com vidros escuros ocupado por três homens.

Os PMs pediram para o veículo parar. Os homens não obedeceram e fugiram em alta velocidade. Ainda segundo os policiais, durante a perseguição o carro diminuiu de velocidade, um passageiro desceu e começou a atirar contra os PMs; acabou morto. Ele estava com uma pistola calibre 380.

O carro continuou a fuga, perdeu o controle e bateu no acostamento. Os dois passageiros desceram. Um deles conseguiu fugir após se esconder em um matagal. O parceiro acabou cercado por outro grupo da Rota e morreu na troca de tiros. Segundo a versão da PM, tinha uma pistola .40, usada pela polícia.

No carro dos rapazes, os policiais disseram ter encontrado uma metralhadora, um colete à prova de balas, um carregador de fuzil e duas bananas de dinamite. Na ocasião, o Esquadrão Antibombas foi acionado para detonar os explosivos.

Investigação. A Corregedoria, porém, desconfiou da versão apresentada pelos policiais. Exames preliminares indicam que os dois rapazes podem ter sido executados. O trajeto descrito pelos policiais também não corresponde aos registros do GPS das viaturas.

Por precaução, todos os agentes da Rota que participaram direta ou indiretamente da ocorrência foram detidos administrativamente. A Corregedoria investiga a participação de cada policial no caso. Os nomes dos detidos não foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública.

Caso as investigações comprovem que houve uma farsa e os rapazes foram executados, a Corregedoria deve pedir a prisão preventiva dos suspeitos e eles devem ser transferidos para o Presídio Militar Romão Gomes. Os dois rapazes mortos não tinham documentos e até ontem não haviam sido identificados.

No DHPP, o caso foi registrado como resistência seguida de morte. Mas os investigadores disseram que os PMs podem ser indiciados por homicídio, caso fique comprovado que eles mentiram na primeira declaração prestada. As armas dos policiais que apresentaram o caso foram apreendidas.

Segundo estatísticas da Secretaria da Segurança Pública, no primeiro trimestre de 2015, 185 pessoas morreram em confronto com a polícia. No ano passado, foram 157 casos.

A secretaria informou que os casos são apurados com rigor e, se há comprovação de crime, os policiais envolvidos são punidos. Em 2014, 128 PMs foram demitidos, e outros 177, expulsos. Na Polícia Civil, foram 55 expulsões e 17 demissões.

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