Corregedoria pede afastamento de delegado de Viradouro

Estevar Alcântara Júnior é acusado de agressão à babá de sua filha e divulgação de fotos eróticas

Brás Henrique, de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2007 | 17h44

O delegado-corregedor da Polícia Civil de Ribeirão Preto, Júlio Simões Pesquero, encaminhou nesta quarta-feira, 12, à tarde, ao delegado-geral Maurício Freire, o pedido de afastamento preventivo de Estevar Alcântara Júnior, titular de Viradouro. Várias denúncias nos últimos dias obrigaram a Corregedoria a abrir um inquérito policial e um processo administrativo, que poderá culminar em repreensão ou até demissão a bem do serviço público do delegado. Contra Alcântara Júnior, que será transferido pelo seccional de Bebedouro, José Eduardo Vasconcelos, pesam as denúncias de agressão à babá da filha dele e a divulgação, pela internet e por CDs, de fotos eróticas (sensuais e de sexo explícito) envolvendo Alcântara Júnior, sua mulher e outro casal.   "Estou sendo vítima de uma tremenda injustiça, tive a minha intimidade violada, sou acusado de algo que nada tem a ver e minha mulher (professora primária) está perdendo o emprego", disse Alcântara Júnior, de 36 anos, em sua única manifestação. Seu advogado, Edson Americano de Freitas, informou que está analisando o caso e diz que um CD particular do delegado foi furtado e divulgado. "Passar isso adiante é crime", afirma Freitas, que prepara ação por difamação e pedido de indenização por danos morais. "Temos provas contra 15 pessoas, inclusive de estabelecimentos comerciais", assegura o advogado. Freitas revela que o CD teria sido furtado pela babá, de 16 anos, e que o delegado não a teria agredido, mas feito uma intervenção para evitar que sua mulher, furiosa, agredisse a jovem. "Não existe acusação formulada contra ele (delegado), que é vítima; e ele é separado judicialmente há três anos, embora morem juntos."   "São acusações gravíssimas", afirmou Pesquero, que recebeu as denúncias na terça-feira, 11. O inquérito civil vai apurar as denúncias e algumas pessoas já foram ouvidas. Na quarta, Pesquero abriu o processo administrativo para apurar a conduta profissional do delegado. Os dois procedimentos devem ser encerrados em 30 dias. O pedido de afastamento preventivo de Alcântara Júnior é para durar enquanto a investigação estiver em curso. Pode ir até 180 dias, prorrogáveis por igual período. "O caso das fotos é grave no contexto geral e vamos apurar as 'situações embutidas' nisso, que não posso revelar agora", disse Pesquero, sem entrar em detalhes, que ainda dependem de apuração.   O caso de fotos de sexo explícito, de troca de casais envolvendo Alcântara Júnior, surgiu na semana passada anonimamente. Vasconcelos foi informado que existiam fotos do delegado e da mulher Melissa Desan num site. Nada foi localizado. Então, as fotos, que eram trabalhadas digitalmente (escondendo os rostos), chegaram a ele por um CD. Alcântara Júnior negou em princípio, mas outro CD, com fotos sem esconder os rostos das pessoas, começaram a aparecer em Viradouro, cidade com 18 mil habitantes. Um CD chegou até Vasconcelos. Alcântara Júnior, então, admitiu que tinha um CD pessoal, que havia sido furtado de sua casa, mas que não tinha montado a página no site erótico.   A situação do delegado agravou-se na sexta-feira, 7, quando surgiu a notícia de que ele tinha agredido a babá, acusando-a do furto do CD, o que caracterizaria abuso de autoridade. A babá registrou a ocorrência e fez exame de corpo de delito. "Pra mim é muito mais grave agredir a adolescente do que as fotos divulgadas, que são nefastas, mas para a vida pessoal dele", comentou Vasconcelos. "Ele só chora." Vasconcelos acrescenta que a Polícia Civil fica em uma situação constrangedora e que, por isso, iria transferir o delegado para Bebedouro, o que deverá ser publicado no Diário Oficial do Estado entre quinta-feira, 13, e sábado, 15. Porém, a Corregedoria já quer afastá-lo preventivamente até o final das investigações. Alcântara Júnior está há quatro anos em Viradouro. Antes, ficou oito anos em Jaborandi.

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