Corregedoria investiga sumiço de jovens

Cerca de 20 policiais que estavam de serviço na região na noite do desaparecimento prestam depoimento

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2012 | 03h03

Cerca de 20 policiais militares dos três batalhões de Guarulhos (15.º, 31.º e 44.º BPMs), na Grande São Paulo, que estavam de serviço na noite de quinta-feira da semana passada (dia 12), compareceram à Corregedoria da PM ontem e anteontem para prestar esclarecimento sobre o que fizeram naquela noite.

As investigações da Corregedoria buscam informações sobre o sumiço dos jovens Caique Eduardo Santana Lima, de 18 anos, e de Matias Mateus dos Santos Vieira Nascimento, de 19. Segundo depoimentos de parentes e amigos dos jovens, eles desapareceram às 22 horas do dia 12 e foram vistos pela última vez perto da Escola Padre Bruno Rico, no Jardim Presidente Dutra, em Guarulhos.

Antes de desaparecerem, segundo amigos e parentes, eles foram vistos sendo abordados por policiais da Força Tática. Testemunhas, porém, não passaram a placa nem o prefixo da viatura suspeita. Os pais de Caique e de Eduardo já prestaram depoimento, mas não tinham informações sobre os PMs.

Na terça-feira, cerca de 30 pessoas, entre vizinhos, colegas e parentes, protestaram na Avenida João Paulo I, entre as 12h e as 17h, cobrando explicações da PM sobre o caso. "Eles já estão desaparecidos há uma semana e ninguém sabe o que aconteceu", afirma uma prima de Matias.

Segundo uma vizinha do rapaz, a testemunha que viu a viatura abordando os jovens não quer prestar depoimento por temer represálias. Alguns moradores diziam que a viatura não tinha placa nem prefixo. Segundo afirmaram, Caique era ajudante de pedreiro e Matias cursava o 2.º grau. A Polícia afirma que um deles tinha passagem por roubo e o outro havia sido interno da Fundação Casa.

Para o professor Edson Antônio Albertão, militante de direitos humanos em Guarulhos e funcionário da rede municipal de ensino, a violência na cidade cresceu. Ontem, ele entrou em contato com o pai de Caique para levá-lo à Comissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) de Guarulhos. "A violência policial é um problema histórico em Guarulhos", diz.

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