Corregedoria investiga 92 policiais suspeitos da lista da propina

Delegados da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo são ouvidos por deputados estaduais nesta quarta-feira

Rodrigo Pereira, do Estadão,

29 de agosto de 2007 | 16h50

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo pediu a quebra de sigilo fiscal, telefônico e bancário de 92 policiais civis suspeitos de participação em um esquema de pagamento de propinas da máfia de caça-níqueis em São Paulo. A informação foi confirmada pela delegada Cíntia Maria Quaggio. Ela e o delegado-corregedor da Polícia Civil, José Antonio Ayres de Araújo, estão sendo ouvidos, nesta quarta-feira, 29, pela Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa.   No último dia 25 de maio, o advogado Jamil Chokr colidiu seu veiculo contra um ônibus, na Marginal Tietê, próximo a Ponte da Vila Guilherme, zona norte paulistana. No interior do veículo, os policiais militares que atenderam a ocorrência encontraram sob o banco cerca de R$ 10 mil e mais 40 envelopes repletos de dinheiro que totalizavam R$ 38 mil. Os envelopes estavam enumerados e com a inscrição "DP" em letras maiúsculas - uma possível referência a Distrito Policial.   Além disso, também foram encontradas planilhas e anotações que continham possíveis nomes de policiais e departamentos envolvidos no esquema. No porta-malas, havia ainda peças de máquinas caça-níqueis. É importante ressaltar que os números nos envelopes coincidiam com os de distritos policiais de São Paulo, cuja numeração vai de 1 a 105.   CRONOLOGIA DO CASO 25/5 No carro do advogado de donos de caça-níqueis Jamil Chokr, PMs encontram envelopes com dinheiro e marcação de DPs. O advogado fugia de um assalto em seu Vectra blindado e bateu. A Corregedoria investiga o caso   28/5 Os números nos envelopes coincidem com os de distritos policiais de São Paulo. A numeração vai de 1 a 105. A Corregedoria da Polícia Militar prende um PM que teria confessado a fraude na lista com as iniciais dos DPs e nos 31 envelopes com dinheiro   29/5 Vazamento da suposta relação de propinas pagas a distritos policiais faz as cúpulas das Polícias Civil e Militar trocarem acusações   1/6 Um dia depois de ser citado em uma lista de supostos beneficiados com propina para não agir contra pessoas ligadas a jogos de azar, o Departamento de Polícia Judiciária (Decap) faz operação que apreende 2.204 máquinas caça-níqueis e fecha sete bingos em São Paulo   4/6 Corregedoria da Polícia Civil pede quebra de sigilo telefônico de pelo menos 25 investigadores que chefiam equipes em distritos de São Paulo   13/6 Grampos da Polícia Federal confirmam que Chokr subornava a polícia de São Paulo. Empresário flagrado na Operação Xeque-Mate diz em gravação que "terá de achar desculpa plausível" para lista achada com advogado   14/6 Anotações mostram que Chokr arrecadou somente em abril R$ 205 mil com donos de máquinas de caça-níquel. Na contabilidade do advogado, parte do dinheiro aparece destinado à Polícia Federal, ao Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap)

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