Corregedoria da PM investiga sumiço e morte de jovens

Moradores do Parque Bristol e movimentos sociais acreditam que os casos estão relacionados ao assassinato de um soldado em outubro

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

14 Novembro 2014 | 22h06

SÃO PAULO - A Corregedoria da Polícia Militar iniciou uma investigação para apurar a morte de um jovem e o desaparecimento de outro na região do Parque Bristol, na zona sul da capital paulista. Moradores e movimentos sociais acreditam que os casos estão relacionados ao assassinato de um soldado da Polícia Militar em outubro.

Bruno Lúcio da Rocha, de 20 anos, desapareceu entre os dias 18 e 19 de outubro e foi visto pela última vez em uma viatura da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Três dias depois, parentes encontraram seu corpo no Instituto Médico Legal (IML).

A outra vítima, Luciano Santos Meneses, de 22 anos, também foi vista pela última vez entrando na mesma viatura em que Bruno Rocha estava. Desde então, ele está desaparecido. Uma moradora já procurou seu corpo em todas as unidades do IML da cidade de São Paulo, mas não o encontrou, afirma o Movimento Mães de Maio, em nota publicada em uma rede social.

Segundo o movimento, moradores têm denunciado o aumento da violência policial na região após a morte do soldado Edson Santos da Silva, de 30 anos, na noite anterior ao desaparecimento dos jovens. O policial militar era integrante da Rondas Ostensivas Com o Apoio de Motocicletas (Rocam). Ele fazia uma patrulha na Rua José Pereira Cruz, no Parque Bristol, quando foi morto com um tiro na nuca.

"Depois do ocorrido, os policiais decidiram fazer justiça com as próprias mãos, incluindo agressões físicas, ameaças a moradores com arma de fogo, arrombamento de moradias e destruição de móveis", afirma o Mães de Maio, que denuncia, ainda, relatos de tortura no local. Os casos de violência policial também estariam acontecendo em bairros próximos, como Jardim São Savério, Jardim Celeste, Vila Cristina e Vila da Paz. 

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a assessoria do secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella, e policiais da Delegacia de Desaparecidos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) se encontraram com cinco líderes comunitários, representantes de 11 entidades, para tratar do caso dos dois jovens na última terça-feira, 11.

Segundo a SSP, o grupo estaria auxiliando nas investigações - acompanhado da mãe de Bruno Rocha, que prestou depoimento na quarta-feira, 12, na Delegacia de Pessoas Desaparecidas do DHPP. No dia anterior, a irmã de Luciano Meneses também foi ouvida.

"A Corregedoria da Polícia Militar informa que a morte de B.S.M. e o desaparecimento de L.S.M. estão sendo investigados. Quando concluídas, as apurações serão encaminhadas ao Comando Geral da Polícia Militar", afirma a SSP.

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