Corregedoria da PM começa a ouvir suspeitos de divulgar vídeos de baleados

Imagens mostram três homens agonizando após serem atingidos por militares em São Paulo

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2014 | 14h21

SÃO PAULO - A Polícia Militar começou a ouvir na manhã desta quarta-feira, 16, na Corregedoria, 12 PMs suspeitos de terem divulgado vídeos e fotos de três baleados agonizando no chão após uma troca de tiros, afirmou  comandante-geral Benedito Roberto Meira, durante evento na sede do governo.

Segundo ele, caso seja comprovada a participação desses policiais, eles podem ser presos e expulsos da corporação "Eles estão sendo ouvidos individualmente pra gente saber a versão de cada um deles", disse Meira.

Serão ouvidos seis PMs do 29º batalhão de policiamento militar metropolitano e outros seis do 48º. "O objetivo é tentar identificar o policial, se é que foi um policial que fez as imagens", afirmou Meira. O comandante também disse que a corporação abomina as imagens e que "isso não se faz com ninguém".

Caso. Circula pela internet um vídeo que mostra três homens agonizando e sangrando após serem baleados por policiais militares em São Paulo. A cena foi filmada após uma tentativa de assalto na manhã do último dia 8, na Vila Curuçá, zona leste de São Paulo. No vídeo, é possível ver uma calça cinza e um coturno preto, como o uniforme da PM. Ao fundo, além do som do rádio da polícia, alguém diz: "Vai ficar famoso, ladrão, morrendo". O baleado chega a murmurar "meus filhos". Depois, outra pessoa fala: "Vai demorar aí, c., pra morrer".

Segundo a secretaria, os três homens foram abordados em um Fiat Uno preto depois que um caminhoneiro denunciou que tinha sofrido uma tentativa de assalto. Houve perseguição e o veículo dos suspeitos acabou batendo na viatura. Os policiais atiraram no carro, porque, segundo eles, um dos acusados apontou uma arma.

Os três ocupantes do carro foram hospitalizados, mas um deles não resistiu. Outro está preso e o terceiro permanece internado com vigia policial.

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