Corregedoria da PM abre inquérito para investigar agressões a jornalistas

Segundo Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), 14 profissionais de imprensa foram detidos ou agredidos por policiais no protesto de sábado em São Paulo

O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2014 | 18h51

SÃO PAULO - A Corregedoria da Polícia Militar instaurou nesta segunda-feira, 24, um inquérito para investigar os casos de detenções e agressões a jornalistas durante o protesto contra a Copa no último sábado, no centro de São Paulo. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), 14 profissionais de imprensa que faziam a cobertura da manifestação foram agredidos ou detidos por PMs.

A entidade emitiu nota lamentando os episódios que ocorreram após a PM fazer um cerco num grupo de pessoas que caminhavam pela Rua Xavier de Toledo alegando ser uma estratégia para evitar atos de vandalismo pelos black blocs. "Tentar impedir o trabalho da imprensa é atentar contra o direito da sociedade à informação e, em última análise, à democracia", disse a Abraji.

No domingo, o comandante da PM na região central da cidade, Celso Luiz Pinheiro, pediu desculpas pelas agressões a jornalistas e disse que megaoperação policial, que marcou a estreia do "pelotão ninja" especializado em artes marciais, foi "um sucesso" porque reduziu os danos ao patrimônio, o número de policiais e civis feridos (7, segundo a corporação) e os confrontos.

Por outro lado, o número de pessoas detidas chegou a 262, recorde em manifestações. Somados aos 135 detidos no protesto de 25 de janeiro, a quantidade de presos em atos neste ano (397)  já é maior do que o total registrado em 2013, quando ocorreram 374 detenções, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

 

O Estado pediu entrevista com o corregedor da PM, coronel Rui Conegundes de Souza, mas a pasta informou que não seria possível. Segundo a secretaria, a corregedoria vai convidar os jornalistas agredidos para serem ouvidos e tentar identificar os PMs agressores.

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