Corredor tem velocidade de pedestre

Na Rebouças a velocidade média é de 7,9 km/h das 16h às 17h; relatório da CET mostra melhora na Avenida Paulista e nas Marginais

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2014 | 02h02

A velocidade média do corredor de ônibus formado pelas Avenidas Eusébio Matoso e Rebouças e a Rua da Consolação, um dos principais da cidade, caiu de 11,7 km/h, em 2012, para 7,9 km/h, no ano passado, entre 16h e 17h, horário que antecede o rodízio do fim da tarde. A piora é de 32,4% no período. Para se ter uma ideia, a velocidade média de uma pessoa a pé é de cerca de 5 km/h.

Os números são da 16.ª avaliação da Operação Horário de Pico, relatório publicado anualmente pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O corredor é usado como parâmetro para monitorar a eficiência do rodízio de veículos.

Durante o horário do rodízio noturno, entre 17h e 20h, a velocidade no corredor foi de 9,7 km/h, em 2012, para 6,9 km/h, no ano passado.

Esses são os dois patamares mais baixos de toda a série histórica, iniciada em 1997, ano de implementação da restrição, na gestão Celso Pitta. Durante o pico da manhã (entre 7h e 10h), o patamar no corredor em 2013 foi de 21 km/h, mais baixo do que o verificado no ano anterior: 23,3 km/h.

Vias. Nas vias de trânsito rápido, como as Marginais do Tietê e do Pinheiros, a velocidade média no horário de pico da manhã passou de 42 km/h, em 2012, para 52 km/h, em 2013, melhora de 25%. À tarde, o trânsito ficou mais lento, passando de 22 km/h para 18 km/h.

Já nas vias arteriais, como a Avenida Paulista e a Marquês de São Vicente, houve aumento da velocidade média nos dois horários. No pico da manhã, a velocidade subiu 12%, de 23 km/h para 26 km/h. No da tarde, de 15 km/h para 16 km/h.

Mais carro. Outro indicador da CET mostra que a lentidão geral em São Paulo não para de subir a partir do fim da manhã. Entre as 10h30 e as 16h30, a capital teve, no ano passado, em média, 50 km de congestionamentos por dia útil, 9% a mais que os 46 km do ano anterior. Durante o horário de pico da tarde, a lentidão cresceu ainda mais, passando de 92 km, em 2012, para 110 km em 2013.

O número de carros na cidade também nunca foi tão grande. Segundo o relatório da CET, em 2013, São Paulo tinha 66,2 veículos para cada 100 habitantes. No ano anterior, esse número era de 64,7.

Para o servidor José de Abreu, de 54 anos, que dirige por São Paulo diariamente, com tantos carros na rua, o rodízio deixou de fazer diferença. "Não acredito que ampliá-lo vá melhorar qualquer coisa, porque muita gente tem dois ou três carros com placas diferentes", diz. Já a publicitária Simone Arruda, de 46 anos, acredita que o rodízio de dois dias poderia trazer algum tipo de benefício. "Mas a saída é construírem mais metrô."

Segundo a CET, a operação do rodízio "é reconhecida como uma medida necessária ao controle de tráfego, que está incorporada à rotina dos condutores" e que a pesquisa mostra que a maioria dos motoristas "continua obedecendo à restrição".

O único horário em que o trânsito marcou uma velocidade média maior em comparação com 2012 foi na hora imediatamente posterior ao rodízio da manhã (entre 10h e 11h): passou de 13,6 km/h para 16,3 km/h.

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