Corredor é aberto inacabado após 24 anos em obras

Ligação entre São Mateus-Jabaquara e Morumbi tem problemas em pelo menos três pontos, como grades de proteção frágeis

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Trecho do corredor sem as faixas que o separam da pista para outros veículos

Demorou 24 anos e, mesmo inaugurada, ainda há serviços a serem feitos. Uma das obras viárias mais antigas do Estado de São Paulo, a ampliação do Corredor ABD (São Mateus-Jabaquara) até o Brooklin, na zona sul, foi entregue à população ontem e começa a operar comercialmente hoje sem uma série de itens de sinalização e de segurança. A previsão é de que 85 mil pessoas utilizem o transporte por dia.

A reportagem verificou a falta de sinalização de solo - faixa que separa o corredor das demais pistas ? em três pontos: na frente do Terminal Diadema, no início do corredor; na Avenida João de Luca, após a Praça do Nabuco; e no cruzamento das Avenidas Vicente Rao e Santo Amaro.

Além disso, ao longo de todo o corredor, as grades de proteção dos corredores são feitas de arames frágeis (o projeto original previa grades de ferro). "Se existe algo que não foi feito, não é correto, não é normal. Mas, em uma grande obra, é compreensível. E agora, nos próximos dias, será feito", disse o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O corredor tem 12 quilômetros em cada um dos sentidos. Ele será gerido pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), mas também será usado por ônibus municipais, da São Paulo Transportes (SPTrans). Ao todo, são 18 paradas, cinco delas "terminais de integração": pontos servidos tanto pelos ônibus da EMTU quanto por ônibus da capital. As integrações não são gratuitas. Quem usar o corredor e o ônibus municipais terá de pagar duas passagens. Quem usar o corredor e a Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) pagará uma tarifa única de R$ 5 (só o ônibus da EMTU custa R$ 2,65).

As obras têm sido acompanhadas pelo Ministério Público Estadual desde que foram reiniciadas, no fim do ano passado. O promotor Saad Mazloum, da Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital, fez sete visitas ao local durante a execução dos serviços. "Devo fazer uma nova vistoria lá na semana que vem", adiantou.

Se as irregularidades não tiverem sido arrumadas até lá, disse ele, é possível agir contra os responsáveis. Mazloum disse que o contrato firmado entre o governo do Estado e as empreiteiras responsáveis pela execução da obra termina hoje e, portanto, todos os serviços têm de ser feitos dentro do prazo.

Elétrico só em 2011. Quando o corredor foi planejado, a ideia era de que fosse inteiramente eletrificado, operado por trólebus. Mas o governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou ontem que isso só deve ocorrer em 2011.

O promotor Mazloum deu prazo de 45 dias para que a Metra, concessionária do corredor, coloque ônibus híbridos (elétricos e a diesel) para rodar no corredor. Esses veículos já foram adquiridos, mas passam por obras de adaptação nas carrocerias. As portas de entrada ainda têm de ser transferidas para o lado esquerdo dos veículos.

Segundo a EMTU, 265 ônibus circulam diariamente pelo corredor ABD, transportando 6 milhões de usuários/mês. As 13 linhas do sistema são operadas com veículo elétrico híbrido.

Pela metade. Com o novo corredor, a previsão é de que o tempo de viagem entre o Morumbi e Diadema passe de 60 para 30 minutos.

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