Corpos foram enviados para compostagem

Aves foram descartadas antes que Zoo Safári registrasse ocorrência e, por isso, não será possível fazer novas necropsias para esclarecer as mortes

Marcelo Godoy e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2010 | 00h00

Peças fundamentais para a investigação, os cadáveres das emas foram destinados à compostagem, antes mesmo que o zoológico registrasse a ocorrência no 83.º DP. Assim, não será possível fazer necropsias, que poderiam determinar o modo e as causas da morte, ainda obscuras para a Polícia Civil.

O incidente ocorreu na madrugada de domingo, e, segundo a administração do parque, uma necropsia foi feita pela própria perícia do zoológico e os corpos foram descartados no mesmo dia. O registro do boletim de ocorrência, no entanto, foi feito apenas na tarde de terça-feira. De acordo com o diretor técnico-científico do Zoológico, João Batista Cruz, os procedimentos são de praxe. "Nossos técnicos são registrados e têm competência para fazer a perícia", disse.

A reportagem pediu cópia dos laudos, mas a resposta foi negativa. Segundo ele, é obrigação da fundação enviá-los somente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), e não à polícia. "Mas estamos abertos para colaborar, caso eles sejam solicitados", afirmou.

Hipóteses. Cruz disse que está convencido de que o ataque foi feito pelos três cães. Segundo ele, não há possibilidade de algum outro animal carnívoro ter escapado do espaço - no Safári, cada bicho fica solto em uma área grande, mas separada das outras - ou de as mortes terem sido causadas por humanos. "Isso foi apurado e temos certeza do que houve. Os corpos tinham as mordidas dos cães e tudo", afirmou.

Para ele, é normal que os vira-latas tenham capacidade para matar todas as emas. "Era uma matilha, atacaram em grupo. E cães são predadores naturais de aves", disse.

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