Corpos de motoboy e de ex-noiva são velados na Praia Grande

Velório e sepultamento são feitos a poucos metros de distância um do outro; não houve ofensa entre as famílias

Naiana Oscar, do Jornal da Tarde, e Rejane Lima, do Estadão,

20 de novembro de 2007 | 19h43

Os corpos de Evellyn Ferreira Amorim, de 18 anos, e Gilmar Leandro da Silva, de 23 anos, foram velados e sepultados a poucos metros de distância na tarde desta terça-feira, 20, no cemitério Municipal da Praia Grande, na Baixada Santista. Na noite anterior, a mãe do motoboy desempregado que assassinou a ex-noiva e depois se matou pediu perdão aos familiares da menina. Apesar de inconformados, o pedido parece ter sido aceito pelos parentes da vítima. Durante o velório, não houve ofensas, nem agressões.    Mãe de motoboy pede perdão à família da vítima   A mãe de Gilmar, Célia Maria da Silva, comentou com os parentes que preferia a morte do filho a ter que sofrer também com o assassinato da ex-namorada. "Nós amávamos a Evellyn também. Toda nossa família gostava dela", disse Joana da Silva, 20 anos, irmã de Gilmar. Antes do sepultamento, ela foi à sala em que o corpo da menina estava sendo velado. Abraçadas, aos prantos, Joana e Rosecleide, mãe de Evellyn, olhavam uma para outra e se perguntavam: "Por quê?". Ninguém tinha a resposta.   "Ele sempre foi uma pessoa boa. O que aconteceu não dá para explicar", disse o pai de Evellyn, Marcelo Cláudio Amorim, 38 anos. A irmã mais nova da menina, de 14 anos, desmaiou minutos antes do sepultamento. O velório de Evellyn foi movimentado, mas silencioso. Rosecleide passou boa parte do tempo ao lado do corpo, quieta, amparada por parentes. Mas entrou em desespero quando o caixão foi fechado. Ela gritava alto: "Evellyn, eu te amo". Saiu do cemitério carregada no colo.   O corpo de Gilmar foi sepultado uma hora e meia antes. Samanta, a irmã mais nova, de 14 anos, chorou e gritou do início ao fim. Fora de si, ela dizia que o irmão estava vivo. Diante da sepultura do filho, a mãe disse: "Eu expliquei a você que éramos uma família, não podíamos nos separar nunca".   Além de familiares e amigos de Evellyn, muita gente que acompanhou pela mídia a história de amor terminada em tragédia foi ao cemitério na tarde desta terça. Amigos e curiosos fizeram fila para se despedir da jovem. Cinco guardas municipais controlavam a entrada na sala. Segundo eles, mais de mil pessoas passaram por lá. No velório de Gilmar, não houve filas, nem guardas.   A costureira Maria das Neves, de 59 anos, não conheceu o casal, nem seus familiares. Ela comprava remédios na Nova Farma, onde Evellyn foi mantida refém pelo ex-noivo entre meia-noite de domingo e meio-dia de segunda-feira, mas não conhecia a menina. "Eu fiquei sabendo pela TV, tive pena e fiquei com vontade de vir", disse. A dona de casa Maria de Lourdes, de 48 anos, também não conhecia ninguém no velório. "Fiquei comovida, a gente é mãe, tem dó das duas famílias", explicou.

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