Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Corpo de PM morto em assalto a ônibus é enterrado no interior de SP

Policial tinha 38 anos e foi atingido por cinco tiros após ter reagido a uma tentativa de arrastão a um ônibus da EMTU na última quinta-feira na zona sul da capital

Janaína Moro, colaboração para O Estado de S. Paulo

21 Abril 2018 | 11h36

PIRASSUNUNGA - Comoção e homenagens marcaram o enterro do policial militar Elton Ricardo Cunha, de 38 anos, morto durante uma tentativa de assalto a um ônibus na última quinta-feira, 19, no bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo. O corpo do cabo da PM foi sepultado na manhã deste sábado, 21, no Cemitério Municipal de Pirassununga, interior paulista, cidade de origem do policial e onde reside os familiares.

Cunha estava na corporação havia 15 anos e atuava na Praça Roosevelt, no centro da capital. Era casado havia 3 anos, não tinha filhos, e morreu em seu dia de folga, ao trocar tiros com três assaltantes que invadiram o ônibus em que estava, da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), para fazer um arrastão, na tarde do dia 19. Além do policial, outras duas pessoas morreram - o estudante Felipe Fuschi Amaro, de 23 anos, e um dos suspeitos, Damião Barbosa Sousa, de 32 anos - e quatro ficaram feridas.

Durante o enterro de Cunha, o coronel da PM Telmo Araújo, comandante da Região Central de São Paulo (CPA/M-1), defendeu a ação do policial, que reagiu ao assalto, segundo testemunhas.  "Somos formados para defender a população, mesmo estando em folga, o policial se sente na obrigação de cumprir seu juramento, mesmo com sacrifício da sua própria vida", afirmou o coronel, que destacou ainda o empenho do cabo na corporação. "Já tinha trabalhado em várias modalidades e recebeu muitas mensagens de condolências", afirmou Araújo.

Após receber uma denúncia anônima, a Polícia Civil prendeu na sexta-feira, 20, em flagrante, um dos suspeitos de participar do assalto, o ajudante de cozinha Raphael Teleforo Barbosa, de 24 anos, em Diadema, na Grande São Paulo. Com ajuda das imagens gravadas dentro do ônibus, a polícia concluiu que as tatuagens do assaltante coincidiam com as de Barbosa - ele tem um palhaço, uma carpa e dois nomes gravados nos braços. Ele negou participação no crime.

Homenagens. Amigos, familiares e policiais prestaram as últimas homenagens ao PM durante o sepultamente neste sábado. “Eu lembro da nossa infância , depois quando jovem ele já muito dedicado, estudando para o concurso, treinando. É muito triste”, declarou o amigo Fernando dos Santos. Segundo José Hernani Cunha, primo da vítima, o sonho do PM era ser bombeiro. "Melhor pessoa, calma, crescemos juntos. Uma perda muito grande, ele foi um herói", lamenta. Policiais Militares da capital e de Pirassununga homenagearam o colega de trabalho com o toque de silêncio.

De acordo com dados da Polícia Militar, somente neste ano 38 PMs foram mortos, dos quais apenas 6 estavam em serviço. Neste caso, Elton Ricardo Cunha estava à paisana quando assaltantes invadiram o ônibus da linha Jabaquara-Ferrazópolis em uma parada na Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, entre Diadema e São Paulo. Em poucos segundos começou a troca de tiros. Imagens registradas por câmeras do coletivo mostram o momento que o bandido atira contra o policial, que foi atingido por cinco tiros, dois acertaram a cabeça do pm que morreu no hospital.

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