Clayton de Souza/AE
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Corpo de garoto morto pelo pai é enterrado em SP

Professor de Direito deixou carta, o que levanta a hipótese de que o crime foi premeditado

Marcela Spinosa, Jornal da Tarde

23 Abril 2009 | 18h27

Sob uma forte chuva, foi sepultado na tarde desta quarta-feira, 23, o corpo de Luis Renato Menina Ventura Ribeiro, de 5 anos, supostamente morto pelo pai com um tiro na nuca. O enterro ocorreu no Cemitério dos Girassóis, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo. A família do garoto proibiu a entrada da imprensa.

 

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A polícia suspeita que o crime tenha sido premeditado. A hipótese ganhou força após a descoberta de que o professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Renato Ventura Ribeiro, de 39 anos, obteve no dia 20 de fevereiro deste ano o certificado de um curso de tiros. Apesar de possuir uma pistola Glock, calibre 380, ele não tinha posse de arma. Nesta tarde, o corpo do professor permanecia no Instituto Médico Legal (IML).

 

Na cabeceira da cama onde pai e do filho foram encontrados sem vida, havia uma carta. Não está assinada, mas a polícia está quase certa de o autor é o professor. A CPU do computador dele foi apreendida para confrontar se o texto foi digitado mesmo na máquina. No texto, Renato cita seu ex-cunhado, contra quem registrou um boletim de ocorrência em 2007 por ameaça.

 

Segue a carta na íntegra.

 

"Aos meus amigos,

Em primeiro lugar, saibam que estou muito bem e que a decisão foi fruto de cuidadosa reflexão e poderação (sic).

Na vida, temos prioridades. E a minha sempre foi meu filho, acima de qualquer outra coisa, título ou cargo.

Diante das condições postas pela mãe e pela família dela e de todo o ocorrido, ele não era e nem seria feliz. Dividido, longe do pai "por vontade da mãe", não se sentida bem na casa da mãe, onde era reprimido inclusive pelo irmão da mãe bêbado agressivo, fica constangido (sic) toda vez que falavam mal do pai, a mãe tentando afastar o filho do pai, etc, etc. A mãe teve coragem até de não autorizar a viagem do filho para a Disney com o pai, privando o filho do presente de aniversário com o qual ele já sonhava, para conhecer de perto o fantástico lugar sobre o qual os colegas da escola falavam.

No futuro, todas as datas comemorativas seriam de tristeza para ele, por não poder comemorar junto com o pai e a mãe, em razão da intransigência materna.

Não coloquei meu filho no mundo para ficar longe dele e para que ele sofresse. Se essa é a hora de corrigir o erro, abreviando-lhe o sofrimento.

Infelizmente, de todas as alternativas, foi a que me restou. É a menos pior. E pode ser resumida na maior demonstração de amor de um pai pelo filho.

Agora teremos liberdade, paz e poderei cuidar bem do meu filho.

Fique com Deus."

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