Corpo de Eloá é enterrado e milhares acompanham a cerimônia

Milhares de pessoas passaram pelo velório da menina; jazigo foi doado pela administração do cemitério

Da Redação,

21 de outubro de 2008 | 08h24

Milhares de pessoas se solidarizaram com a família de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, durante o velório e o enterro da menina, que aconteceu por volta das 9 horas desta terça-feira, 21.Pelo menos 5 mil pessoas eram esperadas para o cortejo do corpo. Desde as 15 horas de segunda, uma multidão já esperava o corpo da jovem para acompanhar o velório. Até o começo da manhã desta terça, cerca de 30 mil pessoas estiveram no local, segundo informações da Guarda Civil Metropolitana. Eloá foi vítima do mais longo seqüestro da história de São Paulo: ficou mais de 100 horas refém do ex-namorado, Lindemberg Alves, de 22 anos, que foi transferido na noite de segunda ao presídio de Tremembé, no interior do Estado.   Entre 6h30 e 8 horas, 3 mil pessoas foram ao velório. Por conta do grande número de pessoas no local, a polícia militar montou um esquema especial de segurança, com reforço do contingente policial, do lado de fora do cemitério e durante a cerimônia de sepultamento. No começo da manhã, apenas familiares e amigos ficaram no local para participar de um culto religioso. O pai da menina não acompanhou o velório e o enterro, já que estaria muito nervoso e sofre de problemas de pressão.    Veja também: 'Eu sabia', diz Nayara sobre morte de Eloá 'Eu perdôo Lindemberg', diz mãe de Eloá 'Eu lembro que eu dei um na Eloá', diz Lindemberg Lindemberg é transferido para Tremembé Polícia Civil investigará ação do Gate  100 horas da tragédia no ABC  Saiba como foi o fim do seqüestro Confira cronologia do seqüestro Galeria com imagens do seqüestro Todas as notícias sobre o caso Imagens da negociação com Lindemberg Alves I  Imagens da negociação com Lindemberg Alves II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Eloá, 'uma menina falante'; Lindemberg, 'um trabalhador' Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP    Ao se pronunciar à imprensa, o irmão da jovem comentou que a irmã não havia morrido, "ela se multiplicou", se referindo aos órgãos doados pela família. "Se Deus a levou, levou com o propósito de salvar essas sete vidas", comentou. "Ela era uma pessoa boa. Acho que lá no céu ela vai estar muito feliz por ter salvado vidas", completou.    A tragédia motivou uma série de manifestações de solidariedade, algumas de outros Estados. A primeira veio da direção do Cemitério de Santo André, que doou o jazigo para abrigar o corpo da jovem. A família recebeu um jazigo perpétuo, com três gavetas, vendido normalmente por R$ 6 mil. Somadas as taxas de velório e sepultamento, houve uma isenção de R$ 7 mil. "É uma forma de diminuir, nem que seja um pouquinho, a situação dolorosa que a família enfrenta. Houve uma comoção popular muito grande nesse caso. Por isso, o cemitério acabou oferecendo esse benefício", afirma Altimar Augusto Fernandes, um dos diretores e donos do cemitério particular da cidade do ABC paulista.   Na segunda, desde o início do dia, as duas telefonistas que trabalham no cemitério não pararam de receber ligações solidárias à família de Eloá. Segundo Fernandes, cada uma chegou a atender cerca de 40 telefonemas por hora. "Tem gente do Brasil inteiro ligando, se solidarizando. Um rapaz queria pagar a manutenção do jazigo. Outro ligou dizendo que tinha duas filhas e não podia deixar de ajudar. Falamos para eles que não seria preciso pagar nada, que o cemitério havia oferecido", afirmou o empresário.   Para exemplificar a dimensão da rede de solidariedade formada espontaneamente, o dono do cemitério citou telefonemas recebidos de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Fortaleza, no Ceará. "Estamos pedindo a essas pessoas que oferecem ajuda que colaborem diretamente com a família ou então ajudem instituições que trabalhem contra a violência, para preservar a paz", afirmou Altimar Fernandes.   O cemitério é ajardinado. O jazigo de Eloá seguirá o padrão do local e receberá, na lápide, um pergaminho de bronze com o nome da jovem e as inscrições da data de nascimento e morte, sem foto. "Não imaginávamos que passaria tanta gente por aqui. Pela velocidade que a fila anda e não acaba, não dá para imaginar quantas pessoas passarão", afirma o dono do cemitério, que adiantou que o velório de Eloá é o mais movimentado da história do lugar, inaugurado há 30 anos.   (Com informações de Daniela do Canto e Fábio Mazitelli, do Jornal da Tarde, e Solange Spigliatti, do estadao.com.br.)   Texto alterado às 9h27 para acréscimo de informações.

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